sexta-feira, novembro 25, 2005

341 A 350 - POEMAS E PROSAS MINHAS

350 - VOU PARA A ESCOLA

Vou para a escola aprender,
e depressa a vou encontrar
As letras terei de saber,
e os números preciso contar
É tarde para isso acontecer,
mas a vida para aí não me levou
Não consigo compreender,
porque o destino não deixou

Eu para a escola quero ir
mas agora é tarde de mais
Irei a tempo de conseguir
saber as letras e outras tais

Quero aprender a ler
mas têm de me ensinar
Quero aprender a escrever
mas têm de me ensinar
Quero aprender a contar
mas têm de me ensinar
Quero aprender a somar
mas têm de me ensinar

Esta minha ignorância,
não dá para perceber
Não estudei em criança,
e, isso não consigo entender
Dizem que agora é tarde de mais,
mas isso pouco me importa
Porque se todos somos iguais,
a escola vai-me abrir a porta

de: fernando ramos
19.11.2005

349 - TEU CORPO É ARTE

Vejo teu corpo nu, com ternura
como um quadro famoso de um pintor
Meus olhos nele, vem tanta doçura
que os faz brilhar de muito amor

Teu corpo é lindo como um poema,
escrito por um trovador afamado
Que um dia o cantará em cena,
deixando o publico deslumbrado

E se ele for visto por um escultor,
cinzelará a pedra com mais brandura
E nela deixará seu saber com amor,
que fascinará o mundo da cultura

Mas se houver outro famoso artista,
que por ele entre em perdição
Eu ficarei muito mais egoísta,
e de ti, jamais abrirei mão

Por ti, até sonho acordado,
e tenho ciúmes que me mate
Vivo num torvelinho apaixonado,
pelo teu corpo que é arte

de: fernando ramos
18.11.2005

348 - ESCREVER PARA TI

Minha escrita é meu tesouro
que chega num movimento ondulante
Eu a guardo como se fosse ouro
mas se não vem, fico espectante

Não será um acto de cobardia
por me faltar alguma inspiração
Sei que o cansaço cega a sabedoria
e é tão nefasta é essa sofreguidão

Será de mentes arejadas
escrever sempre em cristalino
Palavras boas e confortadas
escritas todas em redemoinho

E a poesia vem num sopro quente
trazendo vendavais de felicidade
Para ti eu escrevo de presente
e em total liberdade

Poderá ser um poema embaraçado
que te dirá, alguma parte de mim
decerto que até seria engraçado
eu o escrever só para ti

de: fernando ramos
17.11.2005

347 - DE METRO COM AMOR

Meu amigo passageiro,
que vais no teu passo apressado
Entras no metro com algum dinheiro,
para um destino já traçado

E nesse seguro transporte,
não vês com algum rigor
Arte de fino recorte,
de artistas de muito valor

E em painéis extraordinários,
as paredes expôem o saber do artista
que o oferece aos passageiros diários
que bem este transporte utiliza

E de metro com amor
vai gente de futuro incerto
Com vidas de algum pendor
trabalhar para um patrão esperto

E neste belo transporte
viaja o adulto e a criança
em carruagens de grande porte
que a todos leva em segurança

No metro todos querem ir
porque lá se vai sempre mais além
Apanham o comboio que há-de vir
que os leva a todos muito bem

de: fernando ramos
16.11.2005

346 - VAIS SEGURA

Vais na rua, e vais segura
de encontrares o homem
que um dia na tua vida se cruzou,
e te deu esperança,
porque olhares se trocaram,
promessas se fizeram e beijos ficaram
Teu amor ele levou,
teu sorriso nele ficou,
mas teu coração agora está só

Vais na rua, e vais segura
de quem tem o teu olhar,
teu sorriso e o teu amor,
vais voltar a encontrar,
e tudo recomeçará
Mas o homem que
por ti um dia se cruzou
e tu amaste,
não mais vai voltar

Vais na rua, e vais segura
mas triste, chegou a ansiedade
ao teu coração
O homem da tua esperança
não chega
E então uma emoção
errante te invade,
e noites sombrias
certamente vão chegar

Vais na rua,
mas já não vais segura
Agora tens um
destino inexorável a cumprir
porque alguém ficou
com teu olhar e teu sorriso,
outro amor tens de encontrar
e que te devolva tua alegria,
que hoje é um triste poema

de: fernando ramos
15.11.2005

345 - CELESTE A FLORISTA

Celeste, artista popular
vende flores num mercado
em Alvalade,
onde mora próximo

À noite, prepara seu vestido
e coloca seu xaile preto,
e vai para os lados de Alfama,
cumprir seu sofrimento calado

E lá, numa casa típica,
ao som das guitarras
canta bonitos fados
Onde, a muitos enlaça
com sua voz graciosa
que faz sentir a todos
o gosto que o fado tem

E ela canta, canta,
canta fados com muito
amor e emoção
Neles, deixa um sofrimento
conciso e junta sua solidão
Ela está só, e o fado
é a sua única razão de vida

Celeste, a florista
que tão bem sabe cantar,
por alguns momentos da noite
os outros faz feliz
De dia, bem cedinho
volta para o mercado
para sua vida ganhar

O fado é a sua grande paixão,
que a vai consumindo de amor
À noite a felicidade acontece,
que ela a toma aos bocados
E entre trinados de uma guitarra,
os sentimentos acontecem,
deslumbrando outros, que
a sua vida eles desconhecem

E o povo, ama a Celeste
que a faz esquecer
sua triste vida solitária
Ela canta para a alma de todos,
com sua voz serena, bela e certa,
onde se bebe as palavras
escritas pelo o poeta

Ela vai sendo feliz assim
distribuindo a solidariedade a vidas,
que sabe-se lá seus passados
De manhã ao raiar do dia,
lá está Celeste no mercado vendendo
suas flores de belas fragrâcias a pessoas,
que nem sequer imaginam,
a sua alma vadia de fadista

Celeste, é assim que ama a vida,
e só pede felicidades
para todos que à noite
a ouvem cantar


de: fernando ramos
15.11.2005

344 - FLORES DO MEU BEM AMAR

Conheci na Travessa dos Barbadinhos,
ali para os lados da Esperança
Uma negra que levava seus livrinhos,
para dar à sua criança

Ela é uma mãe solteira,
a quem a vida não ajudou
Amou de forma ordeira,
um homem que dela abusou

Hoje sou eu que a amo,
e com ela vou casar
A minha negra a quem chamo,
flor do meu bem amar

Agora à travessa vamos,
recordar nossos encontros
E lá muito nos beijamos,
que de amor ficamos tontos

E ela ali baixinho me diz,
meu branco bem danado
Ela é a mulher que sempre quis,
para meu coração desatinado

Agora as duas estou amar,
minha negra e sua criança
Elas a mim me vão dar,
uma vida cheia de esperança

Estas duas belas preciosidades,
eu a Deus muito agradeço
Só peço muitas felicidades
para as flores de quem eu pertenço

de: fernando ramos
15.11.2005

343 - IGREJA DA SÉ

Hoje vou à Igreja da Sé
Rezar a Cristo, por meus pecados
Ando por caminhos mal traçados
Por ter perdido minha fé

Vou numa vida que não quero
E não é por falta de sorte
Se for por aí, me espera a morte
Mudar meu caminho eu espero

Peço a Cristo solenemente
Para terminar meu pesadelo
Meu passado preciso esquece-lo
Quero uma vida decente

Rogo a Deus para perdoar
Meus pecados de vida má
Eles me desgraçam por cá
Não quero voltar a pecar

E, na Igreja da Sé que me é querida
Me converto ao Santo Cristo caridoso
Recebo do seu coração piedoso
A volta da minha fé perdida

de: fernando ramos
13.11.2005

342 - A NAU DO ZECA TELHADO

E nessa tua Nau Catrineta,
que muita gente anda a gostar
Não tenhas a critica serena,
para a reacção não passar
Se não, ela vem por aí fora,
Nossos espíritos incomodar
Zeca, tua Nau a malta adora,
fica sempre a Naucatrinar
Para tua sátira lhes fazer doer,
grita Abril, até que a voz te doa
Manda os gajos todos comer,
porque a revolução é coisa boa
Obrigado pelas tuas Naus
que rolam como uma esfera
São bonitas e dão tautaus
a muitos da blogosfera

341 - CANTO AO MUNDO

Canto às mágoas da vida,
e ao amor também
Canto às arvores, cuja sombra refresca,
e nos abriga das tempestades que vêem

Canto ao mundo que está em perigo,
e aos homens que não se entendem
Canto alegria que persigo,
e às fêmeas que seus filhos lambem

Canto aos homens de boa vontade,
e às mulheres pelo nascer da criança
Canto à vida e à liberdade,
que nos trazem uma nova esperança

Canto às tristezas dos dias,
num Outono amargurado
Canto à paz que tu bem querias,
mas chega num triste fado

Canto ao amor que feliz nos deixa,
quando a guitarra toca a esperança
Canto a quem tanto deseja,
o sorriso de uma criança

Canto a quem muito quer,
uma criança adoptar
Canto à vida que amo,
bem como quem me quer amar

de: fernando ramos
12.11.2005


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