sexta-feira, outubro 07, 2005

51 a 70 - POEMAS E PROSAS MINHAS

70 - A SITUAÇÃO VAI PIORAR

A situação vai piorar
diz o povo e com razão,
andam todos a brincar
com esta linda Nação

A situação vai piorar
gritamos todos na rua,
já ninguém se entende
parece que andam na lua

A situação vai piorar
dizem os órgãos de informação,
eles nunca se enganam
e têm sempre razão

A situação vai piorar
digo eu, e dizes tu,
vamos lá resolver
este problema que é comum

A situação vai piorar
nesta terra pessimista,
já ninguém acredita
na mudança capitalista

A situação vai piorar
e o petróleo aumentar,
vamos para novas energias
ou o mundo vai acabar

A situação vai piorar
e já não é de agora,
toda a gente sabe
que é o mesmo lá fora

A situação vai piorar
já diziam os nossos avós,
os problemas são os mesmos
só que agora somos nós

A situação vai piorar,
esperemos todos pela melhora,
há que ter esperança
senão a vida piora

A situação vai piorar,
eu começo a achar que não,
isto já está tão mal
que agora era só tirar o pão

de: fernando ramos
22.7.2005

69 - A ESQUINA DO MEDO

Maria, era o nome
da prostituta
que frequentava
aquela esquina
Do medo,
como era conhecida
Exibia suas longas
pernas a todos
que passavam por lá,
na esperança que um cliente,
a salvasse daquela noite,
para que, seu chulo
lhe desse a dose de heroina,
e não lhe batesse
como era seu hábito,
sempre que ela
não fazia dinheiro
na esquina do medo
Maria tinha vergonha
das cicatrizes de seu rosto
e por isso as tentava
disfarçar, elas eram
devido às tareias
que seu homem lhe dava
Mas ela mesmo assim
o amava apesar de tudo,
e comentava com as amigas
de destino:
Que triste é ser puta,
e gostar de um homem como
o meu, que triste sorte
de ter que voltar para esta
vida todas as noites
Maria lamentava-se,
mas não conseguia dizer
adeus à vida perversa
que carregava, nem a quem
a mal tratava
Também não conseguia
procurar outros caminhos
menos penosos,
devido ao vicio
que seu corpo
andava mergulhado
Até que um dia,
Maria, cansada da sua
má sorte,
resolveu parar seu destino
E numa dose fatal de heroina,
para ela tudo tinha terminado
Suas bonitas e longas pernas
deixaram de ser vistas naquela
esquina do medo
de: fernando ramos
21.7.2005

68 - MEU CANTO

Canto a minha liberdade
em posia de paz e amor,
escritos por poetas
que acompanham meu fervor

Canto à saudade vivida
em tempos atrás passados,
onde recordações ficaram
de todos os meus pecados

Canto à natureza,
que me dá força de viver
Será ela que um dia,
me irá deixar morrer

Canto ao meu destino
porque ele me faz amar,
o homem da minha vida
que me segue no meu cantar

Canto à alegria
que vai em meu peito,
porque ela me deixa feliz
com o homem que me deito

de: fernando ramos - para Valéria Mendez
20.07.2005

67 - VAMOS MUDAR O MUNDO

Mudar o mundo é difícil
mas alguém tem de o fazer,
porque neste deserto de ideias
isso um dia tem de ser

É preciso tudo mudar
porque assim não se vai lá,
se lá longe não se entende
o mesmo acontece cá

Ó mundo, vê lá se páras
com estas guerras atroz,
a natureza esta a mudar
e quem sofre somos nós

Vê para onde vais
com o comércio global
Os países mais pequenos
precisam de apoio total

Que achas tu mundo
das desgraças que por aí vão,
muita fome e muita guerra
como nas terras do Sudão

Houve lá as minhas preces
que as faço com fervor,
eu só peço ao meu Anjo
paz no mundo, e muito amor

Dá um sorriso mundo
porque nem tudo são más esperanças,
também temos coisas boas
como o rir das crianças

de: fernando ramos
20.7.2005

66 - A NOITE DOS SÁBIOS

Hoje é a noite
de todos os sábios,
daqueles que tudo
sabem, como:


Construir, destruir, conservar
e até criar amores,
e desamores,
e quem sabe, acabar a guerra

Hoje é a noite dos saberes,
do aprender, da ilusão
e também da desilusão

Hoje é a noite,
em que os sábios
nos vão dizer porque é que
a terra é redonda,
e o sol não é a luz da vida

Hoje é a noite de soltarem
as loucuras, a poesia,
e os sábios também

Esta noite vai
ser inesquecível,
é a noite das noites,
porque os sábios,
vão andar por aí

de: fernando ramos
20.7.2005

65 - O TACHO

O tacho serve para tudo:
Alimentos para cozinhar
Alguns se vão lá guardar
Até outros ele arranjar

O tacho até dá empregos
A muita gente incompetente,
Que estão em certos lugares
Com estatuto permanente

Quem paga a estes senhores
É sempre o Zé povinho,
E eles só lá estão a ganhar
O nosso rico dinheirinho

Contem lá senhores Políticos
Esta história engraçada,
Dos salários com as reformas
Que dá uma grande caldeirada

Hoje há tachos para tudo
Desde que se ganhe algum,
Bons lugares para Presidentes
Que não são para qualquer um

O tacho é coisa boa
Que veio para ficar,
Ele nunca se irá embora
Nem os políticos iriam deixar

E quem paga estes tachos
Digam lá meus senhores,
Se o povo não tem razão
De estar farto destes doutores

de: fernando ramos
19.7.2005

64 - LEMBRAR

Deixa-me lembrar
os beijos que ficaram
por dar, dos sonhos
que tivemos, e do que
não conseguimos falar

Deixa-me lembrar
das noites que
passaram, onde nossos
corpos colados ficavam,
suspirando de amor

Deixa-me lembrar
da tua longa,
ausência que
me trazem noites
cheias de nada

Deixa-me lembrar
dos nossos
sonhos que não
se realizaram,
a vida assim o quis

Deixa-me lembrar
do tempo em que
te espero, e desespero
por saber que
já não vens mais

Deixa-me lembrar
da tristeza,
que vai no meu
coração só
por não estares

Deixa-me lembrar
dos bons momentos
que tivemos,
desses nunca irei
esquecer meu amor

de: fernando ramos
19.7.2005

63 - FALAR DE LISBOA

Falar de ti ó cidade
é sempre muito agradável,
tanta coisa para dizer
desta Lisboa de liberdade

Esta cidade de altos e baixos
sete colinas ela tem,
Jardins, Monumentos e Museus
existem nela também

E o parque das Nações
que está dentro da Cidade,
é a parte nova de Lisboa
que nos enche de felicidade

Belas Praças e avenidas há,
de Alvalade a Belém,
E temos o Oceanário
que é muito bonito também

Passeando pela cidade
alguns jardins encontramos
Um Campo Grande muito verdinho
para os lados de Entre-Campos

E na nossa Baixa antiga
há uma zona bem bonita,
é a Praça da Figueira
onde o Castelo se avista

Lisboa é conhecida
pelos seus raios solares,
mas o que a faz tão alegre
são os seus belos cantares

Os eléctricos amarelos
são transportes de Lisboa,
os turistas viajam neles
que dizem ser coisa boa

Esta cidade de Marinheiros
é das mais bonitas do mundo,
tem um povo muito simpático
e o rio Tejo bem ao fundo

E na Lisboa antiga
o fado é às desgarradas
o povo anda na rua
e os turistas nas noitadas

E nos Santos populares
quem vai nas marchas muito sua
é que o povo vai nelas
com as suas cantigas da rua

de: fernando ramos
18.7.2005

62 - HÁ PROSAS

Há prosas que falam de amor
Há Prosas que falam do céu
Há prosas que falam das cidades
Há prosas que falam dos rios
Há prosas que falam de crianças
Há prosas que falam das estrelas
Há prosas que falam dos animais
Há prosas que falam dos livros
Há prosas que falam da guerra
Há prosas que falam da paz

Mas para mim, boas prosas são,
as que falam de ti, mulher

Há prosas que falam de ti
Há prosas que falam de teu corpo
Há prosas que falam de teus lábios
Há prosas que falam de teus olhos
Há prosas que falam de teus cabelos
Há prosas...
Há prosas...

Mas as melhores prosas são,
as que falam do nosso amor

de: fernando ramos
17.7.2005

61 - MÁ VIDA

Passear em certas ruas
da minha cidade à noite,
é por vezes uma aventura
Encontramos mulheres
de má vida por algumas esquinas,
a quem a sociedade
displicentemente chama
de putas, que vão
andando por aí em zonas
mais ou menos escuras,
onde muito poucos,
talvez por medo lá passam
Os bares de alterne que há
em alguns locais, tem mulheres
e homens que são empregados
ou mesmo proprietários,
à porta a convidar quem passa,
a penetrarem nos seus antros
mais recônditos
Lá dentro, prostitutas
de mini saia, vão mostrando
seu corpo, esperam por um
cliente de última hora, que
por vezes teima em não entrar
Algumas delas, vê-se pelos seus
olhares o medo que as cerca,
pela presença por perto de
seus chulos, que se dizem seus
protectores, mas mais
não fazem do que explorá-las
Não tendo algumas, qualquer
meio de abandonarem aquela vida,
por se encontrarem ‘agarradas’,
umas por dificuldades económicas,
outras mesmo à droga, que as
vai matando a pouco, e pouco
Pobre sociedade esta
onde vivemos, que não protege
seus filhos, e os obriga
a vidas que muito
poucos entendem,
ou não querem entender
de: fernando ramos
17.7.2005

60 - AMOR NO ESQUECIMENTO

Enviei para o esquecimento
o amor que sentia por ti,
não sei se será
por pouco tempo,
ou se não será tão breve

Quero fugir do braseiro
que vai em meu peito,
e não tenho conseguido,
e enviei o amor
para o esquecimento

Minha paixão não pode
ser de tudo ou nada,
tem de ser de tudo
por isso coloquei
lá o meu amor

Não posso ser
só eu amar,
guardar a tua imagem
em meu ser, que sofre
pela tua indiferença

A ti pouco importa
meu desespero,
e eu não posso mais,
tive de enviar o amor
para o esquecimento

Lá talvez não seja
o local exacto dele,
mas tenho de te esquecer
Não faz mais sentido
lembrar-me de ti

de: fernando ramos
17.7.2005

59 - POBRE POVO

Neste pobre país, a consciência
moral parece estar afastada
daqueles que têm obrigações
perante quem os elegeu
Corrupção em determinados
sectores da sociedade
vão acontecendo
Onde políticos, ou pessoas
sem vínculo político,
ligadas a diversas actividades
com grandes responsabilidades
se passeiam por cidades,
aldeias e vilas,
como de heróis se tratassem

Alguns, têm a justiça há volta
deles com processo onde são arguidos,
mas a justiça mal funciona por
causa de uma máquina pesada,
e mantida se calhar por
incompetentes e interesses diversos
Os julgamentos levam anos
a fazer-se, e com isso
permitindo-se tudo, ou quase tudo
Temos o caso de alguns desses
políticos Autarcas, se darem ao luxo
de voltarem a concorrer para os mesmos
lugares, onde se aproveitaram de dinheiros
públicos para proveito próprio

Políticos sem vergonha
que voltam a enganar o povo,
pedindo o seu voto
com promessas de benesses
que quase sempre
não são cumpridas,
e se forem terão sempre
algum interesse pessoal
Povo ingénuo, que se deixa enganar
por 'trinta dinheiros' e volta
a votar nestes 'figurões', e por vezes
elegendo-os para lugares importantes
Pobre país este, para onde vais
com um povo assim!

de: fernando ramos
18.7.2005

58 - PENSAMENTO OCULTO

Pensamentos que estavam
há muito ocultos,
agora estão surgindo
em minha mente
E vejo-te, como há muito
não acontecia
Tudo me parece um fardo
que carreguei,
pela ansia de não te ver
Passou demasiado tempo
que tua imagem não aparecia
E sem saber de teu espirito
que por mim antes esvoaçava
Tive de te deixar ir,
para um local
de esquecimento
E por teres ido para o lado
oculto de meu ser,
ainda por vezes meus
pensamentos me atraiçoam,
e tu apareces como hoje
Mas é bom esta tua
fugaz presença,
e fico surpreendido
por ainda te amar

de: fernando ramos
15.7.2005

57 - A VIDA

No fim de tantos desafios,
e de alguns disparates
que vamos fazendo pela vida
fora, finalmente percebemos
a grande lição!
A vida só pode ter beleza,
e amor quando atingimos,
o ponto em que amamos, tanto
os outros como a nós próprios
Assim conseguiremos colocar
o sofrimento num velho baú
lá de casa, e continuar
nosso caminho
Com isso conseguiremos olhar
a vida, e os outros
de frente, sem grandes
medos, e velhos preconceitos
Como a indiferença,
o egoísmo, e o racismo
que ainda existem
na nossa sociedade,
que se diz globalizada
e que não é mais,
do que fechada em si própria
Temos sempre de ter força
e ir à luta, na certeza
que solidários uns com
os outros poderemos vencer
E com isso viver cada dia
da nossa vida com mais
liberdade, como se
do último dia tratasse
Temos de dar atenção
a todos os pormenores
que nos rodeiam,
e perceber o encanto
que tem as pequenas
coisas, que sempre julgámos
menos importantes, e que
a natureza generosamente
nos vai oferecendo
Como as pessoas, o mar,
os animais, todos, o amor,
e sempre o amor,
pelos outros também

de: fernando ramos
15.7.2005

56 - CORAÇÃO SEM AMOR

Vou domar o meu amor
de coração sereno e contido,
sem deixar que ele sofra
no teu mundo perdido

E como então, acalma-lo
com teu amor de pouco fervor,
se tu por ele não sentes
a mesma poesia de amor

Canto poemas para ti
mas parece que de nada serve,
meu coração te ama de mais
e só ele, é que perde

Poemas eu escrevo
para ele acordar,
o meu não quer ficar só
e precisa do teu para amar

de: fernando ramos
15.7.2005

55 - O MEDO

Andamos todos a ser dominados
pela violência, que traz
o terror e o medo
Ela persegue a humanidade
com a sua actuação rápida
e traiçoeira, em locais
que não se espera
Onde terroristas bastardos
tudo destroem sem dó
Parece que o medo
está a ganhar,
e a ter tudo para continuar
na vingança, morte e destruição
Ele segue o caminho onde
a paz é podre e impossível
Os povos não estão seguros,
temos de enfrentar
este medo que nos enlouquece,
persegue-nos, e mata
Ele não pode chegar
de forma alguma em primeiro,
nós não podemos deixar
que ele nos vença
Temos de ser fortes,
persistentes e audazes
para o enfrentar
de peito aberto

de: fernando ramos
14.7.2005

54 - OS ELECTRICOS DA CIDADE

No eléctrico da carris
a viagem é coisa boa,
Vai por ruas e avenidas
da minha velha Lisboa

Na carreira vinte e oito,
que dos Prazeres à Baixa vai
Está sempre tão chainho
que dele ninguém sai

Bonitas viagens se fazem
da Praça da Figueira a Belém,
vão juntinhos ao rio Tejo
numa viagem que se faz bem

E nas viagens para o Castelo,
é ver os turistas encantados
Não tem lá este transporte
que cá, os deixa maravilhados

Digam lá senhores estrangeiros,
se as viagens não são bonitas
Vê-se Lisboa dos Eléctricos
nos passeios para os turistas

de: fernando ramos
15.7.2005

53 - EU ESCREVO

Escrevo e não sei se sou poeta,
mas é sobre o amor,
ou de outras coisas mais
Talvez seja uma necessidade escrever,
frases mais ou menos profundas,
de sofrimento ou até de brincadeiras


Escrevo das noites, dos dias, de sexo,
política, até do sol e do mar,
e outras vezes do vento
e até da chuva,
mas escrevo, mal ou bem
Ás vezes sobre desejos, sonhos
e outros temas mais


Escrevo devagar, ou mais depressa,
mas sempre com sentimento
Caminhando se faz a vida,
e escrever os desejos,
se forem profundos,
então eu vou por aí


Posso escrever muito, ou pouco,
e outras vezes nada,
mas sempre escrevo

de: fernando ramos
13.7.2005

52 - PALAVRAS AO VENTO

Algumas palavras se dizem
que não saem do coração,
elas magoam tanto,
e são ditas sem razão

Vamos as esquecer depressa,
porque palavras, levas o vento
E essas não voltam mais
para o nosso contentamento

Temos de ter muito cuidado,
para não as dizermos mais,
porque são ditas sem nexo
estas palavras fatais

Por elas o vento vai esperando
porque não as queríamos dizer,
não foram ditas com emoção
nem por nosso belo prazer

As palavras saem tão rápido
como se fosse um sopro na pena
não deviam ser ditas assim
nem de maneira mais serena

Vamos todos lá pensar
nas palavras a dizer,
para evitar dissabores
e depois não há nada a fazer

O vento é nosso amigo
por as más palavras levar,
temos muito que lhe agradecer
por nunca as deixar ficar

de: fernando ramos
12.7.2005

51 - ADEUS FADISTA

Desapareceu o nosso fadista
mas ficou a sua arte de cantar
e com ele foi embora
a vida que não deixou de amar

Adeus fadista do país
e da nossa liberdade,
agora que tu partiste
ficou a tua saudade

O fado ficou mais pobre
com esta tua saída,
deixaste a todos nós
e não cantaste na despedida

Cantaste o fado nos becos,
na viela e na rua
cantaste em todo lado,
até quase cantaste na lua

Mas porquê amigo fadista
vais para outro lado cantar,
cantavas tão bem aqui
que nos deixas a recordar

Com esta tua partida
fica a nossa saudade,
o fado vai continuar
para bem da liberdade

Adeus meu eterno fadista
de ti iremos sempre falar,
pelos anos que te ouvimos
uma lágrima vamos deitar

Não penses que ao ires embora
de ti não vamos mais lembrar,
estas enganado meu amigo
é que, para nós vais sempre cantar

de: fernando ramos
11.7.2005


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