sexta-feira, outubro 14, 2005
281 a 300 - POEMAS E PROSAS MINHAS
300 - AMAR À CHUVA Vamos nós devagarinho,
No jardim, e ao relento
Felizes vamos no caminho,
Em busca de um bom momento
E a chuva fria cai em redemoinho,
Em nossos corpos naquele momento
Que seguem num bom passinho,
No jardim, e contra o vento
E se a chuva cair sem parar,
Debaixo dela não sairemos
Se pela noite quiser continuar,
Mesmo na chuva nos amaremos
E se de manhã a chuva partir,
Dizemos-lhe adeus com alegria
Porque bons momentos ainda vão vir,
Com o regresso da chuva fria
de: fernando ramos
18.10.2005
299- AMAR NA MADRAGOA
Meu amor me enganou,
Certa noite na Madragoa
Por outra me trocou,
Na minha velha Lisboa
Uma noite ao luar, na cidade
Ele me seduziu
Ali perdi minha castidade,
E desde ai, sempre me mentiu
Hoje sou uma mulher sofrida,
Por amor a quem não devo
Ele me deixou perdida,
Desde jovem e muito cedo
Na Madragoa eu fiquei,
Com minha vida destroçada
Da outra, ciúmes nunca terei
Porque com ele, não é bem casada
Madragoa meu amor,
Meu futuro é o que Deus quiser
Porque desde aquela noite de dor,
Que passei a ser mulher
Outro amor vou encontrar,
Por muito que isso me doa
E com ele quero casar,
Para ser feliz na Madragoa
de: fernando Ramos
19.10.2005
298 - UM ZÉ NINGUEM
Dizem que sou um Zé ninguém,
e, é capaz de ser verdade
E até vou mais além,
Sou ninguém, e não deixo saudade
Mas que grande falta de estima,
Para um ser como eu
Se há alguém que se subestima,
Não é problema meu
Sou Zé ninguém para alguns,
Para outros não é bem assim
Ainda há mais, que são mais uns,
Que até gostam de mim
Ninguém, é Zé ninguém,
Porque todos alguma coisa são
É que há tantas, que são mãe,
De muitos Zés que para ai vão
Portanto meu amigo,
Zé ninguém não existirá
Porque todos, e até comigo
Somos alguém que anda por cá
de: fernando ramos
20.10.2005
297 - UM SOPRO DE ILUSÃO
Um sopro de ilusão,
Sinto ouvindo tua guitarra
cujo as notas me sufocam
de angustia, por levemente
teus dedos passarem nas cordas
do meu sentimento
Um sopro de ilusão,
Fez minha alma voar a caminho
de um mundo novo, onde a ventania
do deserto me trouxe um sonho
de saudade de uma lágrima caída,
que se perdeu num tempo
Um sopro de ilusão,
Me fez declamar um poema sentido
que tantas, e tantas vezes,
murmurei nas nossas noites
de vai e vem, que terminavam
na nossa paixão que nos conforta
Um sopro de ilusão,
Faz-me dizer poesia que para ti escrevi,
na minha prisão de secretos desejos
que são contínuos, e que se vão perdendo
com o nascer da nova aurora,
que nos vai trazer o calor que se advinha
Um sopro de ilusão,
É como o universo
pejado de olhares trocados
por namorados, cuja paixão
continua num tempo
nunca terminado
de: fernando ramos
18.10.2005
296 - GOSTAR DO FADO
O fado eu não amava,
E agora por ele me apaixonei
De outras cantigas gostava,
Mas vai ser com ele, que morrerei
O fado é a magia da vida,
E uma bela forma de estar
Nunca será uma quimera sofrida,
Mas sempre para ele se amar
O que o fado nos diz,
Faz-nos bem pensar
Eu por ele nada fiz,
Mas vou a tempo de começar
E então, faço poemas
Com algumas quadras de rigor
Poderão ser frases pequenas,
Mas são feitas com amor
E para o fado escrevo de paixão,
Poesia de alegria e lamento
Que vão saindo do coração,
Sempre com muito sentimento
Se é poesia, bonita ou feia,
Isso nem eu bem sei
Mas para mim é uma boa ideia,
escrever o fado para alguém
de: fernando ramos
19.10.2005
295 - VIVA O TEATRO E A REVISTA
Há para aí uns engraçadinhos,
Que connosco andam a brincar
Pensam que somos uns coitadinhos,
E de nós, há muito que andam abusar
Então dizem que a revista acabou,
Agora, e já o diziam antes
Nessa, o povo nunca acreditou,
Para desgosto dos governantes
Viva o teatro, e a revista Nacional,
grita todo Zé povinho,
Senhores ministros de Portugal,
Com os artistas, tenham mais cuidadinho
E se a revista mal tratarem,
Com eles se estão a meter
Aos artistas vão lhes ter de pagarem,
O mal que lhes podem fazer
É que a eles tanto prometeram,
E continuam com as mãos cheias de nada
De todos os governos pouco receberam,
Estando eles agora, há espera de uma boa fada
Ó senhores do poder oculto
Deixem o que o povo mais gosta, em paz
É que, a revista para eles é um fruto,
Que ainda consomem, e muito os satisfaz
A cultura é a educação do povo,
São palavra que as leva o vento
Promessas destas não é nada novo,
Sabemos nós, há muito tempo
Os poderes deste país,
Da cultura devem ter medo
Porque, o que para aí se diz,
Para ela, o dinheiro nunca chega cedo
Para o teatro, e a revista,
Dinheirinho nunca há
É tão difícil ser artista,
Em todo lado, mas mais cá
Se alguém com a revista quer acabar,
Que tenha mas é muito cuidadinho
Dela nunca se irão safar,
Por ela vamos é a ter, mais respeitinho
Não acabem com esta cultura,
Senão com o povo andam a gozar
Por isso, senhores está na altura,
De a deixarem no seu devido lugar
Somos um país pequenino,
Mas com artistas de muita gana
O teatro e a revista é um menino
Que tantos, a ele muito ama
Portanto, tenham algum cuidado,
E vejam bem o que andam a fazer
Porque o povo já está a ficar zangado,
E com ele, se vão ter que ver
de: fernando ramos
9.10.2005
294 - CORRUPTO
O corrupto anda de mansinho,
Na sua negociata privada
Vai-nos enganando devagarinho,
Sem nós dar-mos por nada
Ele vai enriquecendo,
Com seus bolsos sem fim
Os mesmos vai enchendo,
Metendo lá o nosso pilim
Vai pilhando à vontade,
E na Câmara ele é rei
E também o é, na Sociedade,
Sempre para desgosto de alguém
É o senhor todo poderoso,
Mas alguns acham que não
A ele lhe dá grande gozo,
Comprando muitos com o tostão
Todos os dias aparece na televisão,
Como o mais sério do mundo
Querendo ditar sua razão,
Discutindo com todos a fundo
E nós povo, não passamos,
De uns pobres coitados
Que nestas figuras acreditamos,
Para mal dos nossos pecados
E lá vai o corrupto maravilhado,
Pelas trapaças cometidas
A um pais pobre, e por ele enxovalhado,
Por causa das suas ambições desmedidas
Acorda Portugal inteiro,
Mete os corruptos na prisão
Porque eles nos destroem primeiro,
Roubando o nosso pão
de: fernando ramos
18.10.2005
293 - ADEUS À MORTE
Ao dizer adeus à morte,
Começou para mim novo dia
Será que foi por mera sorte,
Ou antes por cobardia
Morrer não é muito importante,
E também não é um medo fingido
Foi antes por ter uma vida estonteante,
Que me levou da morte ter fugido
Pela vida tenho um sentimento arraigado,
Que descubro em ilimitada sofreguidão
Com a morte seria um fim muito chorado,
Que não me daria grande ilusão
Assim, serei adepto da boa vida,
Por isso, adeus morte para sempre
Traz-me uma alegria sentida,
Para viver eternamente
de: fernando ramos
16.10.2005
292 - MEU DESASSOSSEGO
Minha vida agora é um desassossego
De permanentes contrastes
Porque isso acontece, não percebo
Se tu sempre bem me tratastes
Não consigo compreender
Agora, as tuas atitudes subtis
Mesmo que me venhas oferecer
Belos vestidos de Organdis
É que não vale a pena teres ciúmes
Nem fazeres diagnósticos precipitados
Não venhas mais com queixumes
Porque sou só tua, desde que nos deitámos
E esse, foi um momento de grande magia
E também para mim, de muito medo
O que eu desejo é que seja sempre de alegria
Por isso agora, o meu desassossego
de: fernando ramos
19.10.2005
291 - A PROCISSÃO DA MINHA CIDADE
Vai Cristo no andor,
Na procissão da minha cidade
O povo o leva com amor,
Suplicando por piedade
Ó Cristo, nosso Senhor,
Perdoa nossa vida desgraçada
Pede o povo com fervor,
Que olha a procissão na calçada
E Cristo dá seu olhar piedoso,
Ao povo que reza sua amargura
Vai acenando ao seu Santo bondoso,
Que vai em vestimentas de cor púrpura
O povo é fiel à procissão,
Que todos os anos se faz na cidade
E isso, lhe dá força e razão
De amar Cristo na sua bondade
E lá vai ela no seu lento andamento,
Nesta cidade de ruas estreitas
O povo chora de arrependimento,
E pede cura para as suas maleitas
Vai-se cantando a ladainha,
Enquanto o andor vai a passar
Na minha cidade, a procissão é a rainha,
E muitos, o andor querem levar
E o povo, nas suas janelas deita flores,
À procissão que vai muito devagar
Alguns pedem a Cristo que lhe tire as dores,
Do sofrimento que lhe estão amargurar
E o senhor padre cura,
Vai na frente do andor
Benze o povo com água pura,
Para que Cristo lhes tire a dor
E as gentes na sua piedosa dor,
Suplica a Cristo o seu perdão
Num arrependimento sem pudor,
Para que ele lhes mostre a sua razão
Ó meu Cristo redentor,
Dá-nos saúde e liberdade
Tu és o nosso Salvador,
Da nossa vida, que não deixa saudade
de: fernando ramos
18.10.2005
290 - AMALIA, MARÉ DE AMOR
Certo dia, do século passado
Uma fadista nasceu
De Amália, o nome lhe foi dado
E para o fado ela apareceu
E como ela o cantava bem,
Que até o rouxinol se calava
Ouvindo-a, ele ficava bem,
Que o seu cantar a ela, dedicava
Sua voz meiga e açucarada
Era como uma onda de mar chão
Que vai branda na crista salgada
A caminho de nosso coração
Amália, de nossos encantos
Aos Santos ela rezava
Com fados de alguns prantos
Tocados por uma guitarra
Tu serás sempre do povo
Como sua eterna namorada
Um fado teu, sabe a pouco
À nossa vida desassossegada
Em Lisboa ela é afamada,
Assim como em todo lado
Sua voz por todos é lembrada
Pela magia que dava ao fado
Cantava um fado bonitinho
Tocado por uma bela guitarrada
Ela, o declamava baixinho
E era poesia por muitos amada
E quando sua voz subia em esplendor
Uma brisa suave, no Tejo aparecia
Vinda de uma maré de amor
De um povo que ela merecia
de: fernando ramos
17.10.2005
289 - SER POETA É
Ser poeta,
É ser inventor
Onde frases saem
Ao correr da pena
Elas se vão perdendo
No papel branco,
Em subtis traços
Que vão formando letras
Descrevendo poemas
De impaciente nervosura
Ser poeta,
É ser contador
De factos que a nossa
Imaginação em puro
Desejo embriagante
Vai passando para
Outros, que os querem
Ouvir, e sentir
Em constantes sentimentos
Arraigados num tempo
Ser poeta,
É ser um eterno
Apaixonado ou não, que
Por vezes sofre de emoções
Errantes, que nem sempre
Se fixa numa vida a dois
Que o faz ter um vazio
Que se prolongará
por toda a existência
de sua nobre poesia
de: fernando ramos
17.10.2005
288 - BEIJO QUE APETECE
Quando o beijo apetece,
Tua boca me endoidece
E se for pela manhã, na frescura
Ele bem me pode levar à loucura
Se o deres com muitos amores,
Teus lábios me deixam bons sabores
E se não o deres, por um senão
Tua boca não tem perdão
Porque espero um beijo escaldante,
Nestes meus lábios de amante
Minha virtude ficará ferida,
Por causa de tua boca perdida
Teus beijos são minha razão,
E por eles chora meu coração
Que irá viver perdido em sofrimento,
Por isso este meu lamento
Chora coração, choram lábios
Por esses beijos doces e sábios
Uma angustia sempre aparece
Pela falta de teus lábios, que apetece
de: fernando ramos
17.10.2005
287 - AMOR FINAL
Esta noite choveu estrelas Brilhantes
No nosso céu de amor infinito
Traziam gemidos estonteantes
Ouvidos em murmúrios, que tínhamos dito
E elas nossas almas reclamam
Por um sentimento nada fosco
Tidos em nossos seres que se amam
Numa noite que não terminou tosco
E nossos corpos outra vez se deitaram
Em nosso leito de alguma quentura
Onde muitas vezes já se amaram
Rodeados de odores de alguma doçura
E novamente num louco frenesim,
Tivemos um vaivém sem parar
E cobertos por lençóis de cetim
Ao amor final, depressa fomos chegar
De: fernando ramos
15.10.2005
286 - PORQUE CANTO
Não canto por obrigação,
Nem por desgostos da vida
Ou até, por saudades de amor,
De alguma paixão que me é querida
Por isso eu só canto,
Porque canto
O cantar me eleva ao céu,
E às nuvens do amor
Ele me faz apenas vibrar,
Quando sinto algum furor
E por isso eu quero bem cantar,
Porque canto
A vida é um poema,
Que me o deixa cantar
Escrito por sentimentos,
Que me fazem alegrar
Pelo muito que eu canto,
Porque canto
Meus sonhos se perdem no canto,
Mas não, no meu coração
Eles apenas me fazem lembrar,
Que lá fora tenho uma paixão
E que a mim me faz cantar,
Porque canto
Eu canto à natureza,
Que me traz a felicidade no amor
Ela me faz chorar e gostar,
Da vida que não tem cor
Neste meu doce cantar,
Porque canto
de: fernando ramos
13.10.2005
285 - SENTES
Sentes minhas mãos,
em tua pele, que te abraça
Sentes meu olhar,
que te diz quem sou
Sentes minha voz que múrmura
sem pudor,
suplicando por um gesto teu
Sentes nossos beijos,
levados pela brisa
que nos aconchega, na noite
de nossos olhares
Sentes meu prazer
que em ti penetra,
e te ama perdidamente
Sentes meu amor,
que este é o nosso momento
de paixão inebriante
em nossos sentidos
Ama-me meu amor,
ama-me sempre, sempre
e perdidamente
de: fernando ramos
15.10.2005
284 - Ó POVO DO MEU PAÍS
Ó povo do meu país,
Que ao fado dás tanta ternura
Nas tabernas dele se diz,
Que é a vida da nossa cultura
Fadistas cantam com emoção,
Poemas de grande valor
Alguns, por eles chorarão,
Lágrimas que não trazem dor
Há fadistas muito bons,
E eu não digo quem são
Cantam o fado em bons tons,
Com letras escritas do coração
Ó povo do meu país
Que amas o fado até morreres
Ouve bem o que ele diz
Porque é sábio, e de muitos quereres
de: fernando ramos
12.10.2005
Vamos nós devagarinho,
No jardim, e ao relento
Felizes vamos no caminho,
Em busca de um bom momento
E a chuva fria cai em redemoinho,
Em nossos corpos naquele momento
Que seguem num bom passinho,
No jardim, e contra o vento
E se a chuva cair sem parar,
Debaixo dela não sairemos
Se pela noite quiser continuar,
Mesmo na chuva nos amaremos
E se de manhã a chuva partir,
Dizemos-lhe adeus com alegria
Porque bons momentos ainda vão vir,
Com o regresso da chuva fria
de: fernando ramos
18.10.2005
299- AMAR NA MADRAGOA
Meu amor me enganou,
Certa noite na Madragoa
Por outra me trocou,
Na minha velha Lisboa
Uma noite ao luar, na cidade
Ele me seduziu
Ali perdi minha castidade,
E desde ai, sempre me mentiu
Hoje sou uma mulher sofrida,
Por amor a quem não devo
Ele me deixou perdida,
Desde jovem e muito cedo
Na Madragoa eu fiquei,
Com minha vida destroçada
Da outra, ciúmes nunca terei
Porque com ele, não é bem casada
Madragoa meu amor,
Meu futuro é o que Deus quiser
Porque desde aquela noite de dor,
Que passei a ser mulher
Outro amor vou encontrar,
Por muito que isso me doa
E com ele quero casar,
Para ser feliz na Madragoa
de: fernando Ramos
19.10.2005
298 - UM ZÉ NINGUEM
Dizem que sou um Zé ninguém,
e, é capaz de ser verdade
E até vou mais além,
Sou ninguém, e não deixo saudade
Mas que grande falta de estima,
Para um ser como eu
Se há alguém que se subestima,
Não é problema meu
Sou Zé ninguém para alguns,
Para outros não é bem assim
Ainda há mais, que são mais uns,
Que até gostam de mim
Ninguém, é Zé ninguém,
Porque todos alguma coisa são
É que há tantas, que são mãe,
De muitos Zés que para ai vão
Portanto meu amigo,
Zé ninguém não existirá
Porque todos, e até comigo
Somos alguém que anda por cá
de: fernando ramos
20.10.2005
297 - UM SOPRO DE ILUSÃO
Um sopro de ilusão,
Sinto ouvindo tua guitarra
cujo as notas me sufocam
de angustia, por levemente
teus dedos passarem nas cordas
do meu sentimento
Um sopro de ilusão,
Fez minha alma voar a caminho
de um mundo novo, onde a ventania
do deserto me trouxe um sonho
de saudade de uma lágrima caída,
que se perdeu num tempo
Um sopro de ilusão,
Me fez declamar um poema sentido
que tantas, e tantas vezes,
murmurei nas nossas noites
de vai e vem, que terminavam
na nossa paixão que nos conforta
Um sopro de ilusão,
Faz-me dizer poesia que para ti escrevi,
na minha prisão de secretos desejos
que são contínuos, e que se vão perdendo
com o nascer da nova aurora,
que nos vai trazer o calor que se advinha
Um sopro de ilusão,
É como o universo
pejado de olhares trocados
por namorados, cuja paixão
continua num tempo
nunca terminado
de: fernando ramos
18.10.2005
296 - GOSTAR DO FADO
O fado eu não amava,
E agora por ele me apaixonei
De outras cantigas gostava,
Mas vai ser com ele, que morrerei
O fado é a magia da vida,
E uma bela forma de estar
Nunca será uma quimera sofrida,
Mas sempre para ele se amar
O que o fado nos diz,
Faz-nos bem pensar
Eu por ele nada fiz,
Mas vou a tempo de começar
E então, faço poemas
Com algumas quadras de rigor
Poderão ser frases pequenas,
Mas são feitas com amor
E para o fado escrevo de paixão,
Poesia de alegria e lamento
Que vão saindo do coração,
Sempre com muito sentimento
Se é poesia, bonita ou feia,
Isso nem eu bem sei
Mas para mim é uma boa ideia,
escrever o fado para alguém
de: fernando ramos
19.10.2005
295 - VIVA O TEATRO E A REVISTA
Há para aí uns engraçadinhos,
Que connosco andam a brincar
Pensam que somos uns coitadinhos,
E de nós, há muito que andam abusar
Então dizem que a revista acabou,
Agora, e já o diziam antes
Nessa, o povo nunca acreditou,
Para desgosto dos governantes
Viva o teatro, e a revista Nacional,
grita todo Zé povinho,
Senhores ministros de Portugal,
Com os artistas, tenham mais cuidadinho
E se a revista mal tratarem,
Com eles se estão a meter
Aos artistas vão lhes ter de pagarem,
O mal que lhes podem fazer
É que a eles tanto prometeram,
E continuam com as mãos cheias de nada
De todos os governos pouco receberam,
Estando eles agora, há espera de uma boa fada
Ó senhores do poder oculto
Deixem o que o povo mais gosta, em paz
É que, a revista para eles é um fruto,
Que ainda consomem, e muito os satisfaz
A cultura é a educação do povo,
São palavra que as leva o vento
Promessas destas não é nada novo,
Sabemos nós, há muito tempo
Os poderes deste país,
Da cultura devem ter medo
Porque, o que para aí se diz,
Para ela, o dinheiro nunca chega cedo
Para o teatro, e a revista,
Dinheirinho nunca há
É tão difícil ser artista,
Em todo lado, mas mais cá
Se alguém com a revista quer acabar,
Que tenha mas é muito cuidadinho
Dela nunca se irão safar,
Por ela vamos é a ter, mais respeitinho
Não acabem com esta cultura,
Senão com o povo andam a gozar
Por isso, senhores está na altura,
De a deixarem no seu devido lugar
Somos um país pequenino,
Mas com artistas de muita gana
O teatro e a revista é um menino
Que tantos, a ele muito ama
Portanto, tenham algum cuidado,
E vejam bem o que andam a fazer
Porque o povo já está a ficar zangado,
E com ele, se vão ter que ver
de: fernando ramos
9.10.2005
294 - CORRUPTO
O corrupto anda de mansinho,
Na sua negociata privada
Vai-nos enganando devagarinho,
Sem nós dar-mos por nada
Ele vai enriquecendo,
Com seus bolsos sem fim
Os mesmos vai enchendo,
Metendo lá o nosso pilim
Vai pilhando à vontade,
E na Câmara ele é rei
E também o é, na Sociedade,
Sempre para desgosto de alguém
É o senhor todo poderoso,
Mas alguns acham que não
A ele lhe dá grande gozo,
Comprando muitos com o tostão
Todos os dias aparece na televisão,
Como o mais sério do mundo
Querendo ditar sua razão,
Discutindo com todos a fundo
E nós povo, não passamos,
De uns pobres coitados
Que nestas figuras acreditamos,
Para mal dos nossos pecados
E lá vai o corrupto maravilhado,
Pelas trapaças cometidas
A um pais pobre, e por ele enxovalhado,
Por causa das suas ambições desmedidas
Acorda Portugal inteiro,
Mete os corruptos na prisão
Porque eles nos destroem primeiro,
Roubando o nosso pão
de: fernando ramos
18.10.2005
293 - ADEUS À MORTE
Ao dizer adeus à morte,
Começou para mim novo dia
Será que foi por mera sorte,
Ou antes por cobardia
Morrer não é muito importante,
E também não é um medo fingido
Foi antes por ter uma vida estonteante,
Que me levou da morte ter fugido
Pela vida tenho um sentimento arraigado,
Que descubro em ilimitada sofreguidão
Com a morte seria um fim muito chorado,
Que não me daria grande ilusão
Assim, serei adepto da boa vida,
Por isso, adeus morte para sempre
Traz-me uma alegria sentida,
Para viver eternamente
de: fernando ramos
16.10.2005
292 - MEU DESASSOSSEGO
Minha vida agora é um desassossego
De permanentes contrastes
Porque isso acontece, não percebo
Se tu sempre bem me tratastes
Não consigo compreender
Agora, as tuas atitudes subtis
Mesmo que me venhas oferecer
Belos vestidos de Organdis
É que não vale a pena teres ciúmes
Nem fazeres diagnósticos precipitados
Não venhas mais com queixumes
Porque sou só tua, desde que nos deitámos
E esse, foi um momento de grande magia
E também para mim, de muito medo
O que eu desejo é que seja sempre de alegria
Por isso agora, o meu desassossego
de: fernando ramos
19.10.2005
291 - A PROCISSÃO DA MINHA CIDADE
Vai Cristo no andor,
Na procissão da minha cidade
O povo o leva com amor,
Suplicando por piedade
Ó Cristo, nosso Senhor,
Perdoa nossa vida desgraçada
Pede o povo com fervor,
Que olha a procissão na calçada
E Cristo dá seu olhar piedoso,
Ao povo que reza sua amargura
Vai acenando ao seu Santo bondoso,
Que vai em vestimentas de cor púrpura
O povo é fiel à procissão,
Que todos os anos se faz na cidade
E isso, lhe dá força e razão
De amar Cristo na sua bondade
E lá vai ela no seu lento andamento,
Nesta cidade de ruas estreitas
O povo chora de arrependimento,
E pede cura para as suas maleitas
Vai-se cantando a ladainha,
Enquanto o andor vai a passar
Na minha cidade, a procissão é a rainha,
E muitos, o andor querem levar
E o povo, nas suas janelas deita flores,
À procissão que vai muito devagar
Alguns pedem a Cristo que lhe tire as dores,
Do sofrimento que lhe estão amargurar
E o senhor padre cura,
Vai na frente do andor
Benze o povo com água pura,
Para que Cristo lhes tire a dor
E as gentes na sua piedosa dor,
Suplica a Cristo o seu perdão
Num arrependimento sem pudor,
Para que ele lhes mostre a sua razão
Ó meu Cristo redentor,
Dá-nos saúde e liberdade
Tu és o nosso Salvador,
Da nossa vida, que não deixa saudade
de: fernando ramos
18.10.2005
290 - AMALIA, MARÉ DE AMOR
Certo dia, do século passado
Uma fadista nasceu
De Amália, o nome lhe foi dado
E para o fado ela apareceu
E como ela o cantava bem,
Que até o rouxinol se calava
Ouvindo-a, ele ficava bem,
Que o seu cantar a ela, dedicava
Sua voz meiga e açucarada
Era como uma onda de mar chão
Que vai branda na crista salgada
A caminho de nosso coração
Amália, de nossos encantos
Aos Santos ela rezava
Com fados de alguns prantos
Tocados por uma guitarra
Tu serás sempre do povo
Como sua eterna namorada
Um fado teu, sabe a pouco
À nossa vida desassossegada
Em Lisboa ela é afamada,
Assim como em todo lado
Sua voz por todos é lembrada
Pela magia que dava ao fado
Cantava um fado bonitinho
Tocado por uma bela guitarrada
Ela, o declamava baixinho
E era poesia por muitos amada
E quando sua voz subia em esplendor
Uma brisa suave, no Tejo aparecia
Vinda de uma maré de amor
De um povo que ela merecia
de: fernando ramos
17.10.2005
289 - SER POETA É
Ser poeta,
É ser inventor
Onde frases saem
Ao correr da pena
Elas se vão perdendo
No papel branco,
Em subtis traços
Que vão formando letras
Descrevendo poemas
De impaciente nervosura
Ser poeta,
É ser contador
De factos que a nossa
Imaginação em puro
Desejo embriagante
Vai passando para
Outros, que os querem
Ouvir, e sentir
Em constantes sentimentos
Arraigados num tempo
Ser poeta,
É ser um eterno
Apaixonado ou não, que
Por vezes sofre de emoções
Errantes, que nem sempre
Se fixa numa vida a dois
Que o faz ter um vazio
Que se prolongará
por toda a existência
de sua nobre poesia
de: fernando ramos
17.10.2005
288 - BEIJO QUE APETECE
Quando o beijo apetece,
Tua boca me endoidece
E se for pela manhã, na frescura
Ele bem me pode levar à loucura
Se o deres com muitos amores,
Teus lábios me deixam bons sabores
E se não o deres, por um senão
Tua boca não tem perdão
Porque espero um beijo escaldante,
Nestes meus lábios de amante
Minha virtude ficará ferida,
Por causa de tua boca perdida
Teus beijos são minha razão,
E por eles chora meu coração
Que irá viver perdido em sofrimento,
Por isso este meu lamento
Chora coração, choram lábios
Por esses beijos doces e sábios
Uma angustia sempre aparece
Pela falta de teus lábios, que apetece
de: fernando ramos
17.10.2005
287 - AMOR FINAL
Esta noite choveu estrelas Brilhantes
No nosso céu de amor infinito
Traziam gemidos estonteantes
Ouvidos em murmúrios, que tínhamos dito
E elas nossas almas reclamam
Por um sentimento nada fosco
Tidos em nossos seres que se amam
Numa noite que não terminou tosco
E nossos corpos outra vez se deitaram
Em nosso leito de alguma quentura
Onde muitas vezes já se amaram
Rodeados de odores de alguma doçura
E novamente num louco frenesim,
Tivemos um vaivém sem parar
E cobertos por lençóis de cetim
Ao amor final, depressa fomos chegar
De: fernando ramos
15.10.2005
286 - PORQUE CANTO
Não canto por obrigação,
Nem por desgostos da vida
Ou até, por saudades de amor,
De alguma paixão que me é querida
Por isso eu só canto,
Porque canto
O cantar me eleva ao céu,
E às nuvens do amor
Ele me faz apenas vibrar,
Quando sinto algum furor
E por isso eu quero bem cantar,
Porque canto
A vida é um poema,
Que me o deixa cantar
Escrito por sentimentos,
Que me fazem alegrar
Pelo muito que eu canto,
Porque canto
Meus sonhos se perdem no canto,
Mas não, no meu coração
Eles apenas me fazem lembrar,
Que lá fora tenho uma paixão
E que a mim me faz cantar,
Porque canto
Eu canto à natureza,
Que me traz a felicidade no amor
Ela me faz chorar e gostar,
Da vida que não tem cor
Neste meu doce cantar,
Porque canto
de: fernando ramos
13.10.2005
285 - SENTES
Sentes minhas mãos,
em tua pele, que te abraça
Sentes meu olhar,
que te diz quem sou
Sentes minha voz que múrmura
sem pudor,
suplicando por um gesto teu
Sentes nossos beijos,
levados pela brisa
que nos aconchega, na noite
de nossos olhares
Sentes meu prazer
que em ti penetra,
e te ama perdidamente
Sentes meu amor,
que este é o nosso momento
de paixão inebriante
em nossos sentidos
Ama-me meu amor,
ama-me sempre, sempre
e perdidamente
de: fernando ramos
15.10.2005
284 - Ó POVO DO MEU PAÍS
Ó povo do meu país,
Que ao fado dás tanta ternura
Nas tabernas dele se diz,
Que é a vida da nossa cultura
Fadistas cantam com emoção,
Poemas de grande valor
Alguns, por eles chorarão,
Lágrimas que não trazem dor
Há fadistas muito bons,
E eu não digo quem são
Cantam o fado em bons tons,
Com letras escritas do coração
Ó povo do meu país
Que amas o fado até morreres
Ouve bem o que ele diz
Porque é sábio, e de muitos quereres
de: fernando ramos
12.10.2005
283 - MÃOZINHAS DE VELUDO
Sarapico, mãozinhas de veludo,
trabalhava para os lados do Marquês
Roubava carteiras, e era tão sortudo
Que às vezes, chegavam às três
Mãozinhas tinha dias para roubar,
E o Sábado era o pior
O Domingo era para descansar
Os outros para trabalhar, eram melhor
Era no Metro que ele roubava,
A carteira que levava sumiço
Sarapico mãozinhas a tirava,
Sem que alguém desse por isso
Lá entrou ele no metro
Para uma carteira surripiar
A um passageiro que ia firme e recto
À espera, de à sua estação chegar
E o comboio naquela estação parou,
E foi na confusão da saída
Sarapico mais uma carteira roubou,
A um passageiro de corrida
Para azar do mãozinhas,
O tal passageiro deu por isso
Armou ali umas confusõeszinhas,
Que deu num grande reboliço
Lá foi chamada a Policia,
E o mãozinhas de veludo foi preso
Levado com muito pouca malícia,
Por um guarda afoito e teso
Para este larápio é uma má ideia,
Os outros andar a roubar
É que às vezes vai para a cadeia,
Por isso o melhor, é ele ir trabalhar
De: fernando ramos
15.10.2005
282 - A PAIXÃO NOS MESES
Naquela manhã de Janeiro
Nós olhávamos o horizonte
Vendo a chuva que caia no sobreiro
Que estava só, no cimo do nosso monte
Ali no monte nos amámos em Fevereiro
Numa paixão louca e imensa
Mas já tínhamos pensado primeiro
Se isso nos trazia uma dor intensa
Mas nós achamos que não
E em Março já estávamos casados
Todos nos perguntaram então
Quanto tempo estivemos enamorados
Dissemos que aconteceu o ano passado
Precisamente no mês de Abril
Numa tarde onde uma orquídea te tinha dado
Depois de olhares, que foram mais de mil
Assim nasceu uma linda relação
E em Maio te dei uma rosa
Que a guardaste no teu coração
Porque ela, era nossa
Em Junho me apresentas-te ao teu pai
E também à tua mãe Manuela
Que com ele, à pesca vai
Lá para os lados da ilha Canela
Foi em Julho que de férias fomos à praia
No Algarve, para os lados da Oura
Conhecemos lá a Joana e o marido Maia
Que moram em Vila Moura
Voltámos lá no mês de Agosto
Onde fizemos um belo jantar
E foi aí que te disse, com muito gosto
Que para sempre, te ia amar
No Mês de Setembro ao entardecer
Que o recordo com muita emoção
Disse-te que tínhamos um casamento a fazer
Ao nosso amor estava numa enorme ascensão
E em Outubro, disseste aos teus pais
Eles ficaram contentes e cheios de ais
Pois querem tudo, e algo mais
Para a sua filha de encantos fatais
Esses dias para nós foram muito felizes
E em Novembro marcámos o casamento
E queríamos pelo menos dois petizes
Mas essa altura, ainda não era o momento
E em Dezembro, o nosso amor já era tanto
Que ao sexo resistias entre beijos meus
Combinámos que não seria por enquanto
Porque tínhamos de ir, ao monte rezar DeusDe: fernando ramos
16.10.2005
281 - OS CORRUPTOS FORAM ELEITOS
Há por aí uns Autarcas
Que foram a eleições
Até fizeram boas marcas
Porque ganharam nas votações
Entre os eleitos houve de tudo
De corruptos a gente séria
Deve ser caso raro no mundo
Que permitem esta miséria
Os corruptos lá venceram
Sem nenhuma vergonha na cara
Foi no povo que se perderam
Esta oportunidade rara
De correr com esta gente
Que há política são nefastos
O que será que vai na mente
Dos sérios, que ficaram de rastos
Ó povo o que andas a fazer
Que votas em quem te anda a roubar
Claro que te vão dizer
Que neles podes sempre confiar
Pobre povo do meu país
Que se deixa enganar desta maneira
Porque não ouvem o que se lhe diz
É que votar nestes, é grande asneira
Lá vão eles andar felizes da vida
Meter no bolso até fartar
Teve o povo, uma oportunidade perdida
Para mais tarde não se queixar
de: fernando ramos
13.10.2005