segunda-feira, outubro 10, 2005
161 A 200 - POEMAS E PROSAS MINHAS
200 - ADEUS MAR
Sou um marinheiro com barco
Que navego em águas profundas
Do mar um dia parto
Para areias nada imundas
Ao Tejo vou chegar
Com pressa de ver minha amada
Ela por mim está a esperar
Conforme disse numa carta fechada
E meu barco vou deixar
No Tejo atracado
Com meu amor vou casar
Como já tinha planeado
Passo a marinheiro sem barco
Porque para o mar não vou voltar
Com isso não sou marinheiro fraco
Só que a minha vida vai mudar
Adeus mares sem fim
Eu para ti não volto mais
Tenho meu amor ao pé de mim
que me quer com muitos ais
de: fernando ramos
10.9.2005
199 - MINHA ALDEIA MINHA CIDADE
Eu não sou da aldeia
Porque nasci na cidade
Mas era uma bela ideia
Ter passado lá minha mocidade
Há aldeias bonitas
Como há belas cidades
Todas são muito catitas
Nas diversas localidades
O povo nas suas aldeias
Fazem festas no verão
Come-se lá boas ceias
Em Agosto ao serão
E toca a banda local
Musicas de sonhar
Depois pelo Natal
vão lá todos o festejar
Nossa aldeia, nosso amor
Nossa cidade, nossa paixão
Convosco está Nosso Senhor
E ambas estão no nosso coração
de: fernando ramos
10.9.2005
198 - VOLTA MINHA DONZELA
Adeus doce Donzela,
Que me deixaste amargurado
Partiste para uma ilha bela,
E fiquei só com o meu fado
Que para ti o cantarei,
O resto da minha vida
Mas por ele não chorarei,
Dado que estás de partida
Volta Donzela dessa ilha,
Porque os poetas por ti chamam
Mais poemas não se perfilha,
Porque só a ti eles amam
E, enquanto não chegares,
Mais não vão escrever
É melhor depressa voltares,
Para lhes trazeres seu prazer
E tu voltaste Donzela,
para os poetas do amor
Ao fado fizeram uma quadra bela,
Que eu canto com muito fervor
Donzela minha paixão,
Daqui não sais mais
Os poetas têm te no coração,
E eu canto seus fados fatais
de: fenando ramos
9.9.2005
197 - CÃO ABANDONADO
Sou um cão abandonado,
que por azar nem sou rafeiro
Que vai ser de mim coitado,
nas chuvas em Fevereiro
Meu dono não teve pena,
da minha velhice de vida
Deixou-me na rua pequena,
e minha alegria ficou perdida
Junto-me a outros abandonados,
que tão infelizes são
Somos tão desgraçados,
como os que não têm pão
Nossos donos não têm escrúplos,
por esta atitude indigna
Eles são mas é estúpidos,
para nossa triste sina
Não tenham pena deles,
dos coveiros da nossa desgraça
Façam-lhes o mesmo a eles,
e vão ver se acham graça
de: fernando ramos
9.9.2005
196 - TEMPO DE CRESCER E VIVER
É tempo de crescer
É tempo de viver
Crescer traz o saber
E viver traz o amanhecer
É tempo de crescer
Junto de quem amamos,
De lá vem o nosso saber
E por quem também choramos
É tempo de viver
Com toda a discrição
Na vida vamos querer
A máxima isenção
Crescer traz o saber
E muitas desilusões
Com elas aprendemos
A ter novas ilusões
É tempo de viver
É tempo de crescer
Viver traz o amanhecer
E crescer traz o saber
de: fernando ramos
09.9.2005
195 - TOCO A MINHA GUITARRA
Na Guitarra, trovas toco
Sempre pela noitinha
Meus dedos nela coloco,
Porque ela é só minha
Minhas notas por ela deslizam
De poemas que alguém escreveu,
São tão belos mas não pisam
Um amor que tarde aconteceu
Minha Guitarra que dás encanto
A quem ouve os teus trinados,
Toco versos que dizem tanto
A muitos amores desencontrados
Toco o que me vai na alma
Fados com muito fervor,
E sempre numa noite calma,
Que me vai levar ao meu amor
Esta Guitarra é a minha vida,
E nas cordas deixo o meu saber
Nela toco numa noite linda,
Onde o fado vai acontecer
de: fernando ramos
8.9.2005
194 - AVES DE RAPINA
Coitadas destas aves,
Que para tudo servem
Tu até bem sabes,
Que à honestidade nada devem
Elas roubam o que não deviam,
Que a todos custou a ganhar
Não digam que não sabiam,
Que dos bens se deviam apropriar
Há por aí políticos corruptos,
Que se parecem com elas
Roubam todos os nossos frutos,
Que nos deixam sequelas
Minha pobre ave de rapina,
Tens alguns como tu
E para nossa triste sina,
Todos os dias aparece um
Eles rapinam à vontade,
O que não lhes pertence
Digam lá com sinceridade,
Se não é correcto, o que deles se pense
Aves de rapina vão embora
Deste país de bananas,
Todos acham que está na hora,
De acabar com estes sacanas
Eles roubam o que não lhes é devido,
E não têm vergonha na cara
Nenhum deles é punido,
Nem sua ambição pára
Triste povo que eleges estas aves,
Em eleições futuras
Eles roubam o que bem sabes,
Que te causam enormes torturas
Com eles vamos correr
De lugares importantes,
Não mais vamos eleger
Todos esses meliantes
de: fernando ramos
8.9.2005
193 - EU GRITO
Grito
Ao meu país porque tem de acordar
Grito
Às injustiças que não há meio de acabar
Grito
Aos políticos porque da verdade têm de falar
Grito
Aos corruptos que ao povo andam a roubar
Grito
À fome que muitas pessoas está a matar
Grito
A quem as crianças anda a mal tratar
Grito
A todos aqueles que tem medo do meu gritar
de: fernando ramos
8.9.2005
192 - OS DEUSES NÃO ESTÃO LOUCOS
Vão saber uma novidade,
Das terras dos Deuses do amor
Encontram-se dois artistas de saudade,
Um é fadista, o outro um grande senhor
Amália a nossa fadista,
E Camões o grande escritor
Imaginem o encontro desta artista,
Com o poeta do amor
É que Camões, Amália cantava,
E a nós nos deslumbrava
Ele, era Violante que amava,
E o povo pelos seus poemas chorava
Fez-se no céu, uma festa celestial,
Caldo verde, e jaquinzinhos se comera
Bebeu-se um vinho tinto espiritual,
Na tasca onde S. Pedro os recebera
Falaram de Portugal,
Das tabuinhas, e das Caravelas
Foram lembranças sem igual,
Que os dois tiveram à luz das velas
Bonita aquela festa,
Que de cultura tratou
Amália cantou Camões,
E ele por ela se apaixonou
Coitada da Violante,
Trocada por Amália, a fadista
Camões disse a ela num instante,
Que era só uma paixão de artista
Lindos poemas Amália cantou,
Lá na tasca do céu de Deus
S. Pedro até vibrou,
Da poesia que Camões escreveu
Os Deuses não estão loucos,
Diz o povo na sua mestria
Camões e Amália não são poucos,
Para nos darem sua sabedoria
Ó Deuses do infinito ausente,
Guardai este tesouro
O povo os vai amar sempre,
Em seus corações de ouro
E os dois juntinhos lá estão,
Muito bem acompanhados
Fazem festas ao serão,
Cantando-se belos fados
De: fernando ramos
7.9.2005
191 - UM CAFÉ NO MARTINICA
A caminho de Santa Eulália,
Pelo Martinica passo
Bebo café que não é da Austrália,
No seu grande terraço
Ao Martinica sempre vou,
Beber o meu café
Porque lá é onde estou,
Mais próximo da maré
As marés são todos os dias,
Nas praias de Albufeira
No Martinica não conseguias,
Vê-las de qualquer maneira
Mas a praia fica bem perto,
Talvez a um quilómetro
Para o ano volto de certo,
Quando subir o termómetro
Nas férias ao Martinica vou,
Porque é próximo da praia
Se fores lá agora, eu não estou
Talvez esteja em Santa Eulália
De: fernando ramos
7.9.2005
190 - AÇORES
Açores, nossa terra encantada
Nove ilhas tens tu
De belas flores perfumadas
Com cheiros, que não há em lado algum
Do Corvo a Santa Maria, vais
Com tantos mistérios e pureza
Por todas as ilhas se dizem ais
De deslumbramento e beleza
Tu és Portugal, Açores
E estás sempre em nosso coração
Tens ilhas de várias cores
Que Deus fez com emoção
És um paraíso natural
De gentes simples e amigas
Todos gostam ser de Portugal
Dizem os Açorianos nas cantigas
Ilhas de paz elas são
E de lagos com bons ares
Todos tem protecção
Do Santo Cristo dos Milagres
Furnas e Lagoas tens
Que a nós dás felicidades
Qual a mais linda não sei bem
Mas entre elas, as das Sete Cidades
Nós, deste lado do Atlântico
Aos Açores queremos ir
Nem que seja para se ser Romântico
Como as ilhas nos fazem sentir
de: fernando ramos
6.9.2005
189 - SOBE PETRÓLEO, SOBE
Sobe petróleo, sobe,
pensas que matas o mundo!
Para onde vais?
Tua subida é galopante,
e todos nós perdemos,
não corras petróleo, pára de subir
Assim leva-nos ao fundo, tu não
vais ao fundo, mas não vais ter futuro
Sobe petróleo, sobe
Quanto mais rápido subires
mais próximo estás do teu fim
Nós ficamos cá no fundo, é certo,
mas um dia dele iremos sair
Tu irás desaparecer,
e não vamos chorar por ti, nossas
lágrimas são mais importantes que tu
Sobe petróleo, sobe
Quando chegares o topo,
contempla o teu final,
depois de ti, e para ti, nada vai restar,
mas nós ficamos cá para te consolar
Não por amor a ti,
porque esse é demasiado
valioso, mas tu não
Tu só serves, para te usarmos,
e para nós o amor não se usa,
ele é a nossa respiração,
a nossa tolerância,
a nossa solidariedade
Tu petróleo não és nada disso,
não és assim tão importante
para a nossa vida como julgas
de: fernando ramos
5.9.2005
188 - TUDO A MUDAR OU NÃO
Será que mudaram os tempos?
O mundo poderá ser de confiança
Mas nessa é melhor não acreditar
Basta ver como ele é composto
Nada de novidades
Nada de paz, nem tolerância
Tudo velho, tudo na mesma
Guerras e desgraças todos os dias,
Não sei para onde caminhas mundo
Tanta fome que estás a provocar
Grita-se por mudança, mas ela não vem,
E o mundo afinal não é de confiança
Dizem que o mundo muda todos os dias
Mas se é de confiança, isso não é certo
Temos de fazer um mundo de confiança já!
Nosso filhos tem de sentir
Que o mundo é de confiança
de: fernando ramos
05.9.2005
187 - A RAINHA E O VENTO SUÃO
Alegrai-vos, povo alegrai-vos,
Parece que a rainha voltou
Está a fazer alguns anos,
que o vento Suão a levou
Partiu e não mais voltou,
a nossa fadista maior
Sem ela a guitarra se revoltou,
do seu triste destino menor
O povo chora na rua,
esta sua longa ausência
Mas ela nos corações continua,
mantendo sua presença
Um dia pela rainha se chorou,
num momento de muita emoção
Quando o vento a levou,
ficou apenas a recordação
Perguntem ao vento Suão,
se no céu a vão ver cantar
É que os Anjos que lá estão,
nas guitarras a querem acompanhar
Ela é a nossa maior Diva,
dizem os que cá estão
O vento a levou para lá,
mas sua voz não
Alegrai-vos, povo alegrai-vos
que a rainha está presente
Ela não foi embora,
e o fado está tão contente
de: fernando ramos
4.9.2005
186 - TEU OLHAR EM MIM
Um brilhozinho estou vendo,
nesse olhar muito gostoso
Ou ele me está querendo,
ou é muito mentiroso
Me disse um passarinho,
que teu olhar me sorri
Ele vai em meu caminho,
procurando por mim
Que bonito esse olhar,
que eu estou a ver agora
Um canário te vai contar,
como o meu também te adora
Nossos olhares se vão cruzar,
qualquer dia ao amanhecer
Eles vão sempre se amar,
e as avezinhas vão ver
de: fernando ramos
04.9.2005
185 - A NOSSA SELECÇÃO
Hoje joga a nossa selecção,
com uma equipa forte e feroz
Esta é uma boa razão,
ter o apoio de todos nós
Vamos gritar por ela,
com todo o nosso fervor
Os jogadores gostam de jogar nela,
por isso lhes temos amor
Força rapazes do nosso país,
dizemos nós até ficarmos roucos
Ganhem nem que seja por um triz,
e ficaremos todos loucos
As cores da nossa selecção,
são as mais lindas do mundo
Os jogadores as sentem no coração,
e por elas têm um amor profundo
Vamos lá para a vitória,
com os golos que marcarem
Levem o país à glória,
para todos de alegria chorarem
Em qualquer estádio que se jogar,
seremos uma equipa sem igual
Pela selecção irão todos gritar,
muitos vivas a Portugal
De: fernando ramos
3.9.2005
184 - UM FUNCIONÁRIO PÚBLICO
Vou contar um segredo,
que para muitos parece mal
Há uns senhores do governo,
que nos andam a tratar mal
Sou funcionário público,
do meu querido país
Pensam que lá é um trabalho lúdico,
Mas foi a pior escolha que fiz
Sempre trabalhei com gosto,
e com muita honra até
E agora para meu desgosto,
parece que é crime, mas não é
Estou lá há muitos anos,
e agora andam aí uns senhores
Que aos meus direitos causam danos,
como se eles fossem uns horrores
Digam lá políticos espertos,
que mal é que nós fizemos
Para nos tirarem os direitos,
quando eles eram mais que certos
Não se faz o que andam a fazer,
que tanto mal nos estão a causar
Nas próximas eleições vamos ver,
depois digam que tiveram azar
Ser funcionário público antigo,
agora parece que é muito mau
E por isso temos como castigo,
os políticos nos darem tautau
E estão aí uns doutores,
com muita sabedoria
Porque somos nós os causadores,
de eles terem feito só porcaria
Os senhores governantes poderosos,
que acabam com direitos adquiridos
Não passam de políticos medrosos,
porque os seus não são mexidos
São uns cómicos estes farsantes,
que se julgam com muita piada
Mas não passam de governantes,
da nossa vida desgraçada
De: fernando ramos
03.9.2005
183 - IDA AO JARDIM ZOOLÓGICO
Fui ao Jardim Zoológico,
os nossos amigos ver
Eu sei que não era lógico,
se disso não tirasse prazer
Encontrei lá o Rei Leão,
que estava a descansar
Os Gorilas que feios são,
e as Zebrinhas estavam a mamar
Pelo Zoo grande volta dei,
e tantos animais vi
Só à noite é que de lá voltei,
quando das Araras me despedi
Foi uma grande festa
com o Macaco Aranha
e ele sabe que não foi desta
que lhe percebi a manha
Os Camelos também vi,
e pouca água tinham bebido
Mas quem andava por ali
foi um Tucano que estava fugido
Passei junto do Elefante,
e também pela Girafa
A ele não o achei elegante,
mas ela estava com muita graça
Que belo dia passei lá,
e recomendo a todos do coração
Amigos daqueles melhores não há,
vão ao Zoo ver se não tenho razão
de: fernando ramos
5.9.2005
182 - JOANA VAI PARA ESCOLA
Joana vai para escola,
alegre e bem segura
Leva dentro da sacola,
seus livros de leitura
Vai para escola contente,
porque lhe dá muito prazer
Ela tem em sua mente,
trazer de lá muito saber
Muito gosta de estudar,
seja de noite ou de dia
Seus livros vai desfolhar,
com muita alegria
Joana quer saber muito,
para bom emprego arranjar
É que tem como intuito,
sua vida organizar
Lá deixou a secundária,
e para a faculdade passou
Seus estudos não mudaram de área,
e novamente se organizou
Foi para a faculdade,
porque assim o quis
Nunca teve muita dificuldade,
porque lá é muito feliz
Joana é uma estudante bonita,
de olhos azuis do mar
Tornou-se uma mulher catita,
e todos os homens a querem amar
E lá terminou a faculdade,
trazendo muito saber
Um dia vai ter saudade,
do que lá andou aprender
Joana, mulher graciosa,
muitos corações faz sofrer
Ela é muito charmosa,
mas só um a vai ter
De: fernando ramos - para a minha filha com um beijinho de muito amor
22.8.2005
181 - ABANDONO
Quem é abandonado,
se um dia acontecer
Terá de começar de novo,
e é livre sem o querer
É difícill ser idoso e só,
nas ruas de qualquer cidade
Vê-los andar por aí dá dó,
e a isso não se chama liberdade
Abandonados, os idosos são,
e tratados como trapos velhos
Eles apenas pedem pão,
e ainda alguns conselhos
Na rua, alguém não lhes liga,
ao seu passo brando e cansado
Aos velhos ninguém lhes diga,
que são um pesado fardo
Temos de lhes dar muito amor,
e também muitos conselhos
Se um dia tivermos dor,
aí, seremos nós os velhos
de: fernando ramos
4.9.2005
180 - PASTEIS DE NATA
Hoje pastéis de nata comprei,
de mil iguarias e magia
Comi-os, e deles me enfartei,
com uma enorme alegria
Adoro pastéis de nata,
certamente como toda a gente
O seu doce é que nos mata,
pelo açúcar que tem presente
Eles se vendem em todos os lados,
e dizem que no estrangeiro também
Como-os devagar e aos bocados,
porque assim me sabem bem
Meu pastel de nata saboroso,
ao olhar para ti fico sem ar
É que ele é tão gostoso
que só me faz engordar
Paciência, eu quero é me deliciar,
e a linha pouco me importa
Mais pastéis eu vou comprar,
que a minha barriga bem os suporta
Muita canela vou meter,
para ficar mais gostoso
Vou depressa os comer,
porque sou muito guloso
Pastéis de nata bons,
vendem-se muitos em Belém
Numa casa de bons tons,
Que os fabrica muito bem
De: fernando ramos
02.9.2005
179 - LUMIAR E AMEIXOEIRA SÃO LISBOA
Nesta Lisboa calma,
à gente que está feliz
No Lumiar e na Ameixoeira da alta,
como para aí se diz
São bairros onde muito falta,
mas até tem um chafariz
Todos que cá moram,
gostam muito de cá estar
Vem muita gente de fora,
nossos jardins visitar
E noutros tempos de outrora,
muitos vinham aqui passear
A alta de Lisboa,
vai nascer, ali e aqui
Lumiar, Ameixoeira, por muito que doa,
vão desenvolver por aí
Senhores que andam à toa,
deixem os bairros crescer por si
São dois locais de liberdade,
para os seus moradores
São bairros de antiguidade,
e tem alguns miradores
E alguns Museus da cidade,
para os mais observadores
Lumiar e Ameixoeira,
muito unidos estão
Tem lá gente à maneira,
que vão nas Marchas de verão
Um faz parte do outro,
e estão na Alta, na boa
De lá se vê o aeroporto
da nossa querida Lisboa
de: fernando ramos
02.9.2005
178 - UMA GRANDE BEBEDEIRA
Apanhei uma bebedeira,
Que não foi brincadeira
Foi de caixão à cova
Que ainda não a curei,
Quero ver como dela saire
Porque é uma situação nova
Nunca tinha bebido tanto,
Para meu grande espanto
Bebedeiras destas nunca mais
Não quero voltar a beber,
Disso podem vocês quere
Para mim, esta já foi demais
Bem gostava de saber,
Como nela me fui meter
Comigo nunca tinha acontecido
Bebedeiras vão embora,
saiam da minha vida para fora,
Esta não devia ter sucedido
Bebedeiras não é para mim,
Porque eu acho que sim
Outra destas nem me quero lembrar
Com ela eu vou aprender,
Vocês podem bem querer
Que comigo, ela não fica a ganhar
Podiam fazer a fineza,
de quando beber à mesa
Darem-me uma sova
Se outra bebedeira apanhar,
Porque não quero ganhar
Outra de caixão à cova
De: fernando ramos
01.9.2005
177 - NOTÍCIAS DO JORNAL
O jornal hoje fui comprar,
e as notícias são um horror
O mundo não está a ganhar,
esta guerra de terror
Más notícias ele traz,
do nosso mundo civilizado
A paz nunca se faz,
para nosso triste fado
As pessoas não se entendem,
por esses países fora
Alguns deles defendem,
que a paz comece agora
Mas no jornal se escreve,
que está tudo complicado
A paz para uns não serve,
e para outros está demorado
Outra notícia traz o jornal,
é que o teu clube perdeu
Mas isso já é normal,
porque quem ganha é sempre o meu
E outra ainda vem lá,
e que mal ela soa
Os carros que andam por cá,
continuam a poluir na boa
E muitas mais notícias traz,
este papel de jornal
Umas boas outras más,
o resto é tudo normal
Todos, o jornal vamos ler,
para se andar informado
Compro este para saber,
tu compras outro mais descarado
E é sempre todos os dias,
que notícias o jornal traz
Boas era o que tu querias,
mas quase sempre, elas são más
de: fernando ramos
1.9.2005
176 - PRAIA DE SANTA EULÀLIA
Eulália, nome de Santa,
é uma praia que nos fascina
Lá a cigarra muito canta,
num verão que não termina
Santa Eulália praia de amores,
e de alguns banhos também
São bons os seus odores,
num mar em que se está bem
Em Albufeira ela fica,
para os lados do Algarve
É uma terra de gente bonita,
como tu, e mais alguém sabe
Nesta praia de bom viver,
há um sol muito brilhante
Nela todos querem saber,
quando é a maré vazante
Os banhos assim são melhores,
num verão de muito calor
Os mergulhos não são piores,
vão lá ver por favor
A Santa Eulália todos vão,
numa enorme alegria
Mulheres lindas também lá estão,
num mar de maré vazia
De: fernando ramos
1.9.2005
175 - BEIJA-FLOR
Eu quero o beija-flor,
que vive em teu coração
Com ele fico feliz de amor,
que me traz muita emoção
Voa, voa meu beija-flor,
no jardim de sentimentos,
Teu voar traz alegria,
a esta vida de lamentos
Minhas flores te adoram,
quando nelas vais poisar
Elas brotam doces cheiros,
que decerto vais amar
De te ver fico feliz,
minha avezinha pequena
Teu voar tem tanta graça,
que deixa minha alma serena
Muito colorida és tu,
num arco íris celestial
Até para trás voas,
meu bichinho de Carnaval
Beija-flor minha alegria,
bates as asas sem parar
Teu ruído é fantasia,
e até páras no ar
de: fernando ramos
31.08.2005
174 - CALCORREAR POR LISBOA
Calcorreando as ruas
da minha velha Lisboa,
muitas histórias vou encontrar
ligadas a alguns locais maravilhosos
Os Monumentos, Museus e miradouros,
únicos nesta cidade de sete colinas,
como os de Stª. Luzia, Stª. Justa,
dão-nos uma panorâmica de toda
a história desta Capital
Ir ao Parque das Nações almoçar,
ou uma ida a Alfama,
comer sardinhas assadas
e ouvir o fado, ou até ir
a uma tourada, é quase uma
obrigação a todos que nos visitam
Dar um passeio no Chiado
e ir à Brasileira
tomar uma bica, ou ir aos modernos
Centro Comerciais,
é outra viagem que não se deve perder,
enfim tanta coisa
que hoje esta cidade tem
São pequenos prazeres
que só uma cidade como a nossa,
nos pode oferecer
Vendo Lisboa do Castelo S. Jorge
temos uma visão da baixa Pombalina
que se estende até ao rio Tejo,
que no verão em dias espectaculares,
o brilho que o sol nos oferece,
nos deixa tão felizes e cheios de esperança,
de modo a ficarmos sempre gratos a Deus
por nos dar uma terra tão cheia de charme,
perfume, frescura e tanta beleza
Passear por Lisboa é sempre um enorme
prazer, tanto para nós como para os turistas,
que cá vêem sempre em grande número
Existem locais que não se devem perder
além dos que acima cito, temos também
as igrejas, ricas em muita história da cidade
como a do St. António, S. Vicente e até a Sé
Lisboa, capital da tolerância, da beleza
e do amor, onde o antigo e o novo se juntam
numa harmonia de bem viver
Passeando por ruas, becos,
vielas e até avenidas,
esta cidade dá-nos um brilhozinho
nos olhos, e um aperto no coração…
Calcorreando a cidade,
tudo nela vou encontrar
Uma Lisboa que deixa saudade,
a todos que nela gostavam de morar
de: fernando ramos
31.8.2005
173 - O PAÍS VAI ARDENDO
Meus país vai ardendo,
neste verão de calor
As florestas se vão perdendo,
sofrendo o povo grande terror
Dizem que é fogo posto,
por interesses de vária ordem
O povo tem um grande desgosto,
e os bombeiros fazem o que podem
Mão criminosa é de certeza,
nos fogos que por aí vão
Vão-se valendo da esperteza
e ninguém lhes deita a mão
Acho que eles tem os dias contados,
quando o governo quiser
Não se pode perder o país aos bocados,
por nada se fazer
Somos um país atrasado
com incendiários de vida perdida,
Eles tem de ser bem guardados,
em prisões, por toda a vida
Tem de servir de lição,
Os castigos a dar
Não se pode viver nesta aflição,
até o verão acabar
Diz o povo e com razão,
que os fogos são criminosos
E eles tem a solução,
é ouvir os seus propósitos
De: fernando ramos
31.8.2005
172 - EX-COMBATENTE
Tu ex-combatente,
que defendeste a Nação
Seja qual for a tua patente,
trazes a pátria no coração
Soldado que quase morreste,
em algumas emboscadas
Com a vida, a pátria defendeste
e hoje elas são ignoradas
Em muitas noites na mata,
perguntaste o que andavas ali a fazer
Hoje alguém te mal trata,
és tu quem está a sofrer
Escuta meu herói,
a pátria não te agradece
Eu sei que isso te dói,
mas será que o país te merece
Perguntas se valeu a pena,
por Portugal lutares
Hoje que estás fora de cena,
querem lá saber dos ex-militares
Os ex-combatentes,
é que tinham razão
Quando diziam às patentes,
que eram carne para canhão
Muitas promessas te fizeram,
alguns políticos incompetentes
E eles pouco deram,
aos ex-combatentes
Mas a pátria não tem culpa,
de polícos sem sentimentos
Nós mantemo-nos em luta
por isso seremos sempre combatentes
De: fernando ramos
30.8.2005
171 - SAÍ COM UM DOIDO
Amanhã aí vou chegar,
desta minha doida viagem
Dela irei falar,
de um belo personagem
Ele pensa que me deslumbrou,
com todo o seu encantar
E até me provocou,
fazendo me dançar
Ele comigo ia acabando,
diz com ar natural
Com ele até dancei um tango,
dentro de um corral
Os dias que com ele passei,
foi num gozo de fartar
Até de mão dada andei,
que comigo já quer casar
O homem é tontinho,
e não é coisa pouca
Dele não gosto nem um bocadinho,
quer é dar comigo em louca
Vou mas é já embora,
antes que ele vá chegar
Saio daqui para fora,
e minhas malas vou levar
Esta viagem até foi boa,
E ele apareceu em boa hora
Volto rapidamente para Lisboa,
adeus ó vai-te embora
de fernando ramos
1.9.2005
170 - MADEIRA NOSSO BEM QUERER
A Madeira que Deus fez
É uma ilha muito bela
Quem lá vai pela primeira vez
Fica logo apaixonado por ela
Diz-se que é um jardim
O que a torna muito singela
Nós cá também achamos que sim
Por isso todos gostamos dela
Aquela ilha é um encanto.
Para todos que lá moram
Os que a visitam acham um espanto
E ao sair de lá, às vezes choram
Funchal meu amor
De ti, e de Porto Santo gostamos
Digam-nos por favor
Porque é que tanto vos amamos
Portugal é um país pequeno
Onde conhecemos a fundo
Tem ilhas de mar sereno
Das mais bonitas do mundo
Minha ilha de muito esplendor
Lindas flores tens tu aí
Todos querem-te com muito amor
Porque não há uma outra assim
És a terra de todos os amores
E as flores são de cor viva
Nessa ilha de mil sabores
Suas gentes o mundo cativa
Lindas flores de bem querer
Há na nossa ilha maravilhosa
Muitos gostam de lá viver
Onde sua vida é mais harmoniosa
No meio do Atlântico estais
Nosso paraíso sem igual
Deus te fez sem nenhuns ais
Para seres de Portugal
Porto Santo e Funchal
Dêem sempre as vossas mãos
Todos nós somos Portugal
E para sempre irmãos
de: fernando ramos
30.8.2005
169 - NOTÍCIAS DA ABELHINHA
Noticias do meu amigo
trouxe-me uma abelhinha,
se elas eram boas
espera um pouco que já digo
Meu amor está com curiosidade
de saber o que ela diz,
ainda agora chegou da cidade
e nenhuma pergunta lhe fiz
Abelhinha minha amiga
diz me lá por favor,
o que se passa na cidade
para dizer ao meu amor
e a abelhinha respondeu
que na cidade havia festa,
mas o povo a suspendeu
porque ela lá não presta
Qual festa da cidade
pergunto eu que não sou tola,
era um baile de caridade
para ajudar a nossa escola
E ainda lhe perguntei mais
se meu amigo estava lá,
ela diz que ele está no cais
à espera de vir para cá
Meu amigo da abelhinha gosta,
e com ela até namora
Dizem que já tem casa posta
e que ela até lá mora
O amigo de barco chegou
com ar de muita tristeza,
porque a festa da cidade acabou
quando devia de ser uma beleza
Deixa lá meu amigo
fazemos nós uma festa de primor,
a abelhinha dança contigo
e eu danço com o meu amor
E lá se fez a festa
e até os quatro dançamos,
que raio de dança é esta
porque logo ali casamos
de: fernando ramos
30.8.2005
168 - AMOR SOBERBO
Teus olhos verdes e meigos,
da cor de mar chão
Enche de brilho os meus,
e endoidece meu coração
Esses teus lábios lindos,
tão belos como diamantes
Meus beijos neles se perdem,
ficando cristais cintilantes
Tua beleza me fascina,
em noites de deslumbramento
Fazem as estrelas brilhantes,
centilar mais nesse momento
Teu coração de amor soberbo,
que excita meus sentidos
Fazem o meu ter medo
que nossos sonhos fiquem perdidos
de: fernando ramos
30.8.2008
167 - A MUSA DE CAMÕES
Violante, a musa de Camões,
mulher de grande candura
Ele, a ela dedicou suas paixões,
em poemas de muita ternura
Camões o grande poeta,
para musa ele bem escrevia
Versos que fazia com ética,
que a ela dedicaria
Grande amor teve Camões,
pela sua querida Violante
Seus poemas já deram canções,
cantadas de coração estonteante
Violante, gostava de Camões,
que era a sua musa de encantar
Para ela, escrevia aos serões,
sua poesia de chorar e amar
Que grande mulher aquela,
que ele a queria tanto
Todos diziam ser muito bela,
e para ele era um encanto
Camões sonhava com Violante,
que era casada com o Noronha
Este descobriu num instante,
tornando sua vida tristonha
O Francisco de Noronha,
que era o Conde de Linhar
Tinha para sua vergonha,
Camões, sua mulher roubar
Noronha, o Camões perseguia,
por causa da sua esposa cativante
Porque ele versos fazia,
para a sua querida Violante
Era uma paixão perdida e bela,
que ele sentia com emoção
Seus cantos eram para ela
mas escrevia na frustração
Enorme paixão era aquela,
pela sua enamorada Violante
Sua poesia era tão bela,
que escrevia dela distante
E lá sozinho foi andando,
e nunca a deixou de amar
Para ela, ele escreveu tanto
que hoje nós estamos a gostar
de: fernando ramos
29.8.2005
166 - SÓ PALAVRAS
As palavras que trazem beijos,
são palavras de amor
E há palavras que não se dizem
porque essas são de dor
Palavras da tua boca,
são de esperança e ternura
Elas me dizem tudo,
que até me levam à loucura
Teus lábios palavras dizem,
que meus lábios refrescam
Tão belas elas são,
que a meus beijos se prestam
Teus lábios gosto de beijar,
porque me dizem palavras doces
A eles vou sempre amar,
como se minha vida fosses
Há palavras que me levam,
a dar a volta ao universo
Mas o sabor dos teus lábios,
na minha imaginação disperso
Palavras tuas que beijo,
quando à noite nos amamos
Essas não se recusam,
entre murmúrios que damos
de: fernando ramos
29.8.2005
165 - PEDRAS PARIDEIRAS
Lá para os lados de Arouca,
existe algo de espantar
Pedras a parir pedras,
nós nem queremos acreditar
Vai muita gente as buscar,
à aldeia da Castanheira
E outros vão lá catar,
as pedras da parideira
Na serra da Freita, vive a pedra mãe,
que anda a parir pedras como filhos
Elas são de granito e redondinhas,
que se apanham nos seus trilhos
Vão crescendo nas lajes,
e de grandes, saltam para fora
É a explicação do povo,
que vai dando a toda a hora
Começa na grande rocha mãe,
e dizem que nunca vai morrer
Vai parindo pedra a pedra,
que os de fora as catam a correr
Deixem as pedras parideiras,
na sua raridade de nascer
Por favor não as levem,
porque sua mãe está a sofrer
Que a mãe pedra fique quieta,
na sua arte de parir e viver
Porque senão qualquer dia,
não há parideiras para o povo ver
de: fernando ramos
29.8.2005
164 - TEMPOS DE AMOR
O sol, é o meu dia
A estrela, é a minha noite
A lua, a minha luz
E tu o meu amor
A chuva, é o meu ar
O vento, o meu pão
O mar, a minha vida
E tu a minha razão
O tempo, o meu futuro
O dia, o meu amanhã
A primavera, o meu ser
E tu o meu viver
A noite, a minha incerteza
O calor, a minha paixão
O inverno, o meu fim
E tu o meu saber
A neve, é um amor sem beijo
O frio, amor sem sexo
O outono, é uma vida sem amor
E tu a minha paixão
de: fernando ramos
de 28.8.2005
163 - AMOR ESCALDANTE
O amor é paixão consumida,
em labaredas de dor
Não se vê, mas sente-se
em todo o seu esplendor
Quem ama assim nunca esquece,
a verdadeira paixão
Porque segredos ela tem
escondidos no nosso coração
Que tem um fogo que arde,
como num dia de verão
Dele só vai saber,
aqueles que te recordarão
É não queres amar assim,
dizes tu com alguma dor
Teu coração sofre,
por quem não merece teu amor
É intensa essa paixão,
que te leva à loucura
Só de lembrar boas noites,
passadas com muita ternura
Agora tudo acabou,
diz ao teu coração
Senão ele sofre mais,
em momentos de emoção
de: fernando ramos
28.8.2005
162 - ADEUS AO QUE ESCREVO
Da minha mão escrevo
o que me vai na mente,
e ao colocar minha
escrita numa folha
de papel,
ou num teclado do meu
velho computador,
digo-lhe adeus como
se com um lenço branco
acenasse à humanidade
Não me deixa alegre,
nem triste este gesto,
é o destino do que escrevo
com alma, prazer e sedução
Se é bom ou mau, não
interessa, o importante
é mostrar o que penso,
como se mostra o mundo
no seu melhor e pior
Não sei se alguém lê,
isso também pouco
me importa, o que é bom
é eu escrever, escrever
sempre, sempre com muito
gozo e alegria,
e só isso me basta
de: fernando ramos
28.8.2005
161 - AMAR
Amar é sentir
o pulsar de nosso corpo
entregue a uma chama,
que arde intensamente
numa noite de loucura
infinita
Amar é como uma brisa
fresca que aparece
pela manhã, onde
nós entrelaçados
nos amamos para
o destino que apetece
Amar é como abraçar
teu sorriso que
silenciosamente
me perturba e
desperta vontades
nunca negadas
Amar é soltar
emoções que a razão
desconhece,
mas que em teus
braços me fazem inventar
estrelas das nossas noites
Amar é bom,
dizem os nossos poemas
que vamos construindo
a cada momento que passa
em nossa vida
Amemo-nos sempre amor
de: fernando ramos
22.8.2005