segunda-feira, outubro 10, 2005
141 A 160 - POEMAS E PROSAS MINHAS
160 - LIBERDADE
Liberdade doce palavra,
te peço humildemente
Que não me abandones na vida,
sem ela, não sei olhar em frente
Liberdade no céu,
e a liberdade na terra
É difícil conquistar,
por muitos que estão em guerra
Liberdade é rezar,
ao nosso crente Deus
O teu, mesmo que não seja o meu,
a ele agradeço em nome dos meus
Liberdade é a coragem,
do mundo enfrentar
Menos livre será alguém
que fizer para nele não ficar
Liberdade até há morte,
todos nós ambicionamos
Mas quando a vida se vai,
ela fica, e nós vamos
Liberdade que estais em mim,
santificado seja o vosso nome
Livrais nos a todos da guerra,
e não nos traga a fome
de: fernando ramos
20.8.2005
159 - A NOSSA CARA FECHADA
Essa cara fechada,
e essa tristeza de olhar
Traz sinais dos maus tempos,
que nós estamos a passar
Nos campos os problemas são uns,
e bem diferentes da cidade
O desemprego é para todos,
mas a cara não é tão fechada
As caras das pessoas
mostram problemas que tem,
uns são tão graves,
outros eu nem sei
Quem vê caras não vê corações,
diz o povo na sua sabedoria
Mas os problemas de alguns,
nem eu, nem tu, os queria
Uma cara fechada,
diz o que vai no momento
Olhando bem para ela,
vê-se logo muito sofrimento
Cada cara é um mundo,
e eu sei bem qual é o meu
Com problemas bem graves,
se calhar iguais no teu
Vamos todos animar,
para nossas caras mudar
É que tendo cara alegre
a vida de certo, vai melhorar
A vida vai melhorar,
Deus bem queira que sim
A nossa cara é logo outra,
e essa eu quero para mim
de: fernando ramos
27.8.2005
158 - DOCES VERDADES
Doces verdades ditas
nos teus lábios,
são como estrelas
cintilando no horizonte
As estrelas não mentem,
e teus lábios, o meu amor
não engana
Lembro tua boca, que me
me enlouquece, quando
meus lábios nela se perdem
de beijos infinitos
Teu sorriso é uma luz
que me guia para teus braços,
e neles nossos corpos,
se perdem no tempo
E teu ventre é como conchas
dos corais de várias cores,
que espera ansiosamente
pelo meu ser, que
a ti se entrega numa
nervura intensa
E escreve teu nome
nas marés azuis, num
oceano de desejos,
onde meu amor se afoga
Doces verdades ditas
nos teus lábios,
meu coração não engana
de: fernando ramos
26.8.2005
157 - TEU SORRISO
Sei que é difícil,
mas preciso de ver
o teu sorriso, nesses
lábios que desejo
Quero o ter como presente
Mas tem de ser sincero,
não quero um sorriso falso
Tem de ser original,
daqueles que são de dentro,
e que não enganam
Que transmitem magia,
sim magia, porque não?
Daqueles mesmo de boa fé
Tem de sair do coração
para ser de verdade,
um sorriso contente,
dos mais alegres, para
me deixar muito, e muito feliz
Não precisa de ser
um dos sorrisos mais bonitos
mas tem de ser um sorriso bom
Esses é que são os verdadeiros,
os reais, aqueles que não enganam,
que fazem a gente acreditar,
e nossos olhos cintilar,
sonhar, ter esperança, amor
Daqueles que nos levam
às nuvens, e que nos fazem
pensar que ainda vale a pena,
ver um sorriso lindo
Nem que eu só tenha de viver
um dia de cada vez,
só para ver teu sorriso
Para mim, sorri sempre
meu amor
de: fernando ramos
25.8.2005
156 - O MAR
O mar é grande e fundo
e não se vê seu final,
É quase todo o mundo
neste planeta sem igual
Suas águas de verde e azul,
são cores que nos alegra
Há quem o tente limitar
gastando água sem regra
Sua beleza é a maior,
que já existiu na terra
Com a poluição que para ai vai
qualquer dia o mar encerra
Quando as ondas batem na areia,
muitas musas aparecem
Nos poetas trovadores,
muitos amores acontecem
Não se avista o seu fim,
porque é largo e profundo,
Suas águas são tão salgadas
que dão muita vida ao mundo
de: fernando ramos
25.7.2005
155 - PASSADOS
Tudo o que já vivi, eu recordo
Por isso ando no presente,
lembrando tempos passados
Saudades, esperanças, e pensamentos
que alegram ou entristecem meu caminho.
Mesmo quando não estou sozinho,
vou caminhando ao som de uma bela
sinfonia, que em cada passo,
faz vibrar lembranças que já tive
de outroras não muito distantes
algumas coisas que faço, revive
momentos que me traziam
angústias desse tempo
E traça minha vida
futura num firme alento
E das lembranças dos meus
passados, a novo amor me dou
Com o sentido que o mundo,
que é a minha representação,
me faz amar com mais intensidade
Passados todos nós temos,
o importante é olharmos
o futuro com sentido
que a nossa obrigação
foi comprida com o passado
de: fernando ramos
24.8.2005
154 - UMA LEVE ESPERANÇA
Às vezes acredito,
penso, e até sonho
Outras vezes digo uma oração
e espero que apareças por aí
Até julgo que vens,
preciso é de esperar,
porque tu não vais faltar,
és pontual
Mas no fim, nada disso
acontece, faltas sempre
Não deveria esperar,
não vale mesmo a pena
Poderei até ter sonhos,
até rezar, e até ter esperança
Mas esperar por ti,
nunca deveria acontecer
De nada serve sonhar
ou ter ilusões a teu respeito
Tu não vens, e eu
no intimo até sei isso
Mas resta sempre, sempre
o leve acreditar,
que realmente tu vens,
te juntas ao meu amor
Por isso, penso, acredito
não desisto, até aposto
com amigos, e vê tu,
até tenho uma leve esperança
de: fernando ramos
24.8.2005
153 - MURMÚRIOS NA NOITE
Ouço a noite, na sua chuva
de estrelas brilhantes,
nos seus plenos barulhos
Os grilos cantam sem parar,
contribuindo para que o silencio
não seja, o todo poderoso desta noite
Ao longe, o mar traz
uma leve brisa que me refresca,
ouvindo-se uma, ou outra onda
que vai batendo na areia,
marcando o seu ritmo, e
a sua presença nesta noite
de lua cheia
Fazendo notar que os grilos
cantantes não se encontram sós
Sussurros se ouvem,
de um par de namorados,
que se encontram perto,
quebrando também eles
num tímido jogo de sedução,
o silencio que não consegue
perdurar na noite das noites,
que se vai prolongar até o aparecer
da aurora, que chega com o sol
que virá em todo seu esplendor,
pondo fim,
a esta noite de murmúrios
de: fernando ramos
23.8.2005
152 - A SAUDADE
A saudade não se explica,
sente-se, e muito,
faz doer, e muito
É um vazio deixado
que não se apaga
com o tempo,
por muito que se faça
ela permanece
Pode ser a falta
de alguém, que amamos,
e que nos completa,
ou a falta de algum animal
que nos é querido,
e não nos deixa esquecer
É uma ausência
que nunca é suprida,
e está constantemente
num cantinho do coração
A saudade nos acompanha
sempre e que perturba
a nossa razão,
E o tempo, vai aumentando
sempre a saudade
de: fernando ramos
23.8.2005
151 - PERGUNTAS
Quantos abraços te dei?
Quantos beijos ficaram por dar?
Quantas palavras ficaram por dizer?
Quantas noites fiquei só?
Quantos sussurros trocámos?
Quantas vezes fizemos amor?
Quantas vezes te disse que te amava?
Quantas vezes fiquei sozinho?
Quantos, e quantas vezes
fizemos perguntas
E quantas respostas obtivemos?
Bem poucas, não foi?
de: fernando ramos
22.8.2005
150 - JUNTO DA LAREIRA
Foram embora os pássaros,
e todas as aves de verão
Finalmente está frio,
o inverno chegou
Meu coração gelado
me diz, que vai ser
um inverno diferente
Vamos ter de estar
mais tempo junto
da nossa lareira,
e novos sussurros
de amor trocar
Mas como?
Se tu partiste
com os pássaros,
e me deixaste só
Meu coração inerte,
fica só junto da
nossa lareira,
esperando que, de novo
os pássaros voltem,
e tu com eles meu amor
de: fernando ramos
22.8.2005
149 - LUTANDO SÓ
Por vezes estamos sós,
e sentimos a solidão
como companheira, que muito nos magoa
E quando saímos de situações
complicadas, com o coração sofrido
pela injustiça, mais difícil
se torna, mesmo quando estamos
com familiares e amigos
Ás vezes pensamos em desistir,
e guardar para depois as nossas
lutas e os nossos sonhos
Tantas vezes voltamos para casa
com a sensação de não termos feito
o nosso melhor, e que
algo se podia ter feito mais
E vamos à luta por uma causa,
dificil que por vezes até dói,
e aí, bom aí, cai uma lágrima
de toda a nossa desilusão,
no preciso momento que não
deveria ter acontecido
Algumas vezes pedimos a Deus
que nos dê força, e um pouco de luz
para momentos bem difíceis,
e também oramos ao nosso
Anjo da Guarda para que ele
também nos ajude, e nos digam
qual o caminho que devemos seguir
A resposta vem quase sempre
da maneira mais simples
que alguma vez tínhamos imaginado,
como um olhar cúmplice, um sorriso,
ou um gesto de amor
de alguém que nos é próximo
E nós, outras tantas vezes pedimos,
e insistimos, em prosseguir,
em ir à luta, ser amados e em acreditar
Continuando a pedir a Deus para
nos abençoar, e indicar-nos
qual o caminho a percorrer,
não o mais difícil, mas sim
o mais bonito, e nós como sempre
complicamos tudo, como tantas
e tantas vezes
de: fernando ramos
20.8.2005
148 - O JARDIM
Próximo de minha casa
há um bonito jardim
Vou lá algumas vezes,
e ele, não é só para mim
É um jardim de grandes áreas,
muito verde e de bom ar
Bons dias lá se passam,
e é óptimo para passear
Enormes árvores ele tem,
e lindas flores também
Alguns lagos por lá há,
que alguns patos tem
As crianças ali brincam,
com muita alegria e prazer
Nos baloiços elas andam,
e na relva vão correr
Muito bom é estar por lá,
principalmente ao entardecer
É tão lindo o meu jardim,
venham cá todos conhecer
de: fernando ramos
21.8.2005
147 - PINTOR OBSERVADOR
Sou um artista que observo
teu corpo antes de o pintar
Gosto do jeito manso dele,
da seriedade a que se expõem
para minha tela
Fica sereno, com gestos
suaves e requintados, que
me deixa dar traços delicados
Teus olhos misteriosos
e perturbadores de cor azul,
mil segredos guardam
Como eu gostaria
de os desvendar,
antes de minha mão
os desenhar na tela,
e nela os colorir
Tua beleza me fascina
e na minha aguarela,
vai tomando forma
Tua alma eu pintaria
com as cores do arco íris
Teu cabelo, de negro
da noite o deixava,
com suaves devaneios
Faria de minha pintura
um modelo, para que
um escultor de muita arte,
esculpisse tuas formas
preciosas e delicadas
E te colocasse no alto
da montanha
ao pé dos deuses
Para que todos admirassem
tua silhueta subtil
e graciosa,
com o mesmo encanto
que meus olhos observam
e minhas mãos pintam
em tela branca,
onde tantos sonhos deixo
E o artista da pedra,
com o seu cinzel
faria um modelo de escultura,
onde que todos pudessem
ver a graciosidade dos teus
contornos Subtis e primorosos
Com o mesmo encanto
que este pobre pintor observa
de: fernando ramos
19.08.2005
146 - ADEUS
Estou sempre dizendo adeus,
como indo embora de ti
Se um dia não voltar,
para meu desencanto é
Estou-me sempre despedindo
como de uma partida final,
de um encontro que houve
em jogos de nossas vidas
Estou sempre dizendo adeus
como se não mais te encontrasse,
numa rua da nossa cidade,
e como se fosse a ultima vez
Contigo estou sempre de partida,
é incompreensível nosso desencontro,
quando nós bem sabemos
que nossos seres se amam
Adeus meu amor
os deuses não querem,
que nossas almas se precipitem
em nossa paixão ardente
de: fernando ramos
20.08.2005
145 - AÇUCENAS DO TEU JARDIM
Ele é doido, desgraçado,
e até apaixonado,
que vive de ilusões,
por teu corpo desejar
Ele até poderá ser um safado,
que continua enamorado,
pelo que a vida lhe oferece
Ele é doido,
porque cheira as açucenas
do teu jardim,
e com vontade de lá viver
Ele ama a natureza,
com sentido de pobreza
e adora lhe tocar
Ele é até infeliz!
Mas essa eu não acredito,
porque quem cheira as açucenas
do teu jardim, a natureza beija,
e teu corpo deseja,
o destino engana
Portanto, não é doido
nem desgraçado, e engana
o destino numa esperança perdida
Ele é simplesmente o eterno
apaixonado, por ti, pela natureza
e pelas açucenas do teu jardim
de: fernando ramos
19.8.2005
144 - O GUARDA
Sei bem quando estou a mais,
e por isso saio
Mas fica tranquila,
que por ti zelarei sempre
Mesmo quando pensas,
que já não estou presente
Meu coração vai andar por aí,
a ti guardando
Na esperança de um dia,
te poder guardar sempre
E dizer-te que não estás
só meu amor
de: fernando ramos
19.8.2005
143 - À FLOR DA PELE
Venho para este quintal
mais uma vez cumprir
meu destino, que me
faz viver à flor da pele
Fumo meu cigarro ouvindo
o silencio da noite
Vejo os arbustos que crescem
desordenadamente em
retorções de dor,
para me darem raízes que
vão nascer numa noite
de lua cheia, que virá
com a primavera
Sento-me num banco,
e penso na solidão
que me aconchega nesta
noite mágica, onde vou
viver mais uma vez em fuga
Minha vida está partida
em pedaços incontáveis
Sou mulher de má vida,
que já não sente amor em mim,
que há noite recebo
meus clientes à porta
do quintal de minha casa,
levando-os para meu quarto
onde os violo nas suas loucuras,
em prazeres indefinidos
entre murmúrios, onde se soltam
beijos perdidos sem amor,
e no final, fazendo os voltar
sempre, e sempre ao meu recanto
Para mim resta, o seu pagamento,
nada mais, e voltar
para este quintal, fumar novo
cigarro e esperar por outro
tão infeliz como eu,
à sobra da noite
Que faz parte de uma lista
de outras tantas, e tantas
noites passadas, que deixam
meu coração desesperado,
e que me faz viver sempre,
sempre, e sempre
à flor da pele
de: fernando ramos
18.8.2005
142 - PARTIDA PARA A GUERRA
A guerra não tinha terminado,
e o jovem soldado tem seus
camaradas de jornada
aguardando à porta de sua casa
Estão à espera!
Dizia o jovem combatente para sua mãe,
que naquela manhã de inverno escutava,
o barulho da chuva que batia
copiosamente na janela de sua velha casa
Tempos difíceis aqueles,
onde seu filho iria combater
numa guerra fratricida
Sua mãe sabia que muitos poucos
tinham sobrevivido nos
combates dos últimos dias
E com muita mágoa lhe disse
quase chorando, que zelaria por ele,
e estaria ali esperando para o embalar
como lhe fazia quando era criança
E ela continuava a fixar seu olhar
nas vidraças, e pensando que era
preferível fazer um pacto com o diabo
do que entregar seu filho
aos senhores da guerra
E viu que lá fora o tempo continua
invernoso como seu coração
E não faria pacto nenhum,
porque ainda poderia residir
alguma esperança em seu intimo
E o jovem despedindo-se,
lá partiu carregando seu fardo,
com seus amigos de luta
Sua mãe ao dizer-lhe adeus
acabara de ter maus pressentimentos
Finalmente as lágrimas
soltaram-se como se fossem
as bátegas de água que lá fora
caíam sem parar
O tempo continuava tempestuoso,
como o coração da mãe
de: fernando ramos
17.8.2005
141 - O FADO NAS CARAVELAS
Nas Caravelas quinhentistas,
dizem que o fado já era cantado
Lá os poetas marinheiros escreviam,
letras que deram vida ao fado
O amor que se tem por ele,
todos sabem que não é de agora
Já os nossos marinheiros o cantavam,
nas Caravelas de outrora
E lá os nossos heróis gostavam,
de ouvir um bonito fado
Porque com ele nas Caravelas,
não esqueciam o Portugal amado
Naqueles mares nunca navegados,
a saudade era a toda a hora
Então cantava-se à desgarrada,
para a tristeza ir embora
Mas a tristeza não ia,
e eles o fado continuavam a cantar
Para suas donzelas amadas,
que no Tejo os estavam a esperar
É uma vida de solidão
que o fado ensina amar,
Os marinheiros o cantavam
até ao cais aportar
de: fernando ramos
16.8.2005